As misteriosas “coroas” de Vênus, um enigma que tem intrigado cientistas há décadas, podem finalmente ter uma explicação clara e concisa. Um novo estudo publicado na revista Nature Astronomy sugere que essas formações geológicas únicas podem ser resultado de atividade vulcânica recente no planeta.
Vênus, o segundo planeta mais próximo do Sol, é frequentemente chamado de “irmão gêmeo” da Terra devido às suas semelhanças em tamanho e composição. No entanto, as condições extremas de temperatura e pressão em sua superfície tornam o planeta inóspito para a vida como a conhecemos. Além disso, Vênus é envolto por uma densa atmosfera composta principalmente de dióxido de carbono, o que contribui para um efeito estufa descontrolado e uma temperatura média de cerca de 460°C.
Mas, apesar dessas condições hostis, Vênus tem sido um alvo de interesse para os cientistas, especialmente quando se trata de suas características geológicas. Uma dessas características são as chamadas “coroas”, formações circulares e elevadas que podem ter até 2.000 km de diâmetro. Essas estruturas são compostas por anéis concêntricos de montanhas e vales, e têm sido um mistério para os pesquisadores desde que foram descobertas pela primeira vez na década de 1970.
Durante anos, os cientistas propuseram várias teorias para explicar a origem das coroas de Vênus, incluindo impactos de asteroides, atividade tectônica e até mesmo atividade vulcânica. No entanto, nenhuma dessas teorias foi capaz de fornecer uma explicação completa e satisfatória para essas formações geológicas.
Mas agora, um novo estudo liderado por Anna Gülcher, da Universidade de Münster, na Alemanha, pode ter finalmente resolvido esse enigma. Usando dados da missão Magellan da NASA, que mapeou a superfície de Vênus na década de 1990, a equipe de pesquisa realizou uma análise detalhada das coroas e suas características.
Eles descobriram que as coroas de Vênus são compostas por uma mistura de rochas vulcânicas e sedimentos, o que sugere que elas foram formadas por atividade vulcânica recente. Além disso, a equipe também encontrou evidências de fluxos de lava e depósitos de cinzas vulcânicas nas coroas, o que reforça ainda mais a teoria de que elas são resultado de erupções vulcânicas.
Essa descoberta é significativa porque, até agora, acreditava-se que a atividade vulcânica em Vênus havia cessado há cerca de 500 milhões de anos. No entanto, os resultados deste estudo sugerem que a atividade vulcânica pode ter ocorrido muito mais recentemente, possivelmente há apenas algumas centenas de milhões de anos.
Além disso, a equipe de pesquisa também encontrou evidências de que as coroas podem ter sido formadas por um processo conhecido como “deformação plástica”, que é causado pelo movimento de rochas quentes e deformáveis sob a superfície. Isso pode explicar a forma circular das coroas e a presença de anéis concêntricos.
Essa descoberta não só fornece uma explicação plausível para as coroas de Vênus, mas também pode ajudar os cientistas a entender melhor a história geológica do planeta. Além disso, essas novas informações podem ser úteis para futuras missões a Vênus, que podem explorar essas formações geológicas de perto e coletar amostras para análise.
Embora ainda haja muito a ser







