O futebol é um esporte que move multidões e transcende fronteiras, unindo pessoas de diferentes culturas e origens. No entanto, infelizmente, ainda é palco de episódios de racismo, que vão na contramão do espírito de união e respeito que deve prevalecer no esporte. Recentemente, um caso de suposto racismo envolvendo o jogador Vinícius, do Benfica, e o técnico do Real Madrid, Carlo Prestianni, ganhou destaque na mídia e gerou muita discussão sobre o assunto. Para entender melhor as possíveis consequências desse episódio, a Renascença conversou com o professor universitário de Direito do Desporto, Lúcio Correia.
Segundo o professor, é importante entender que, para que haja uma punição por racismo, é necessário que a conduta seja comprovada de forma inequívoca. “O racismo é considerado uma infração grave no futebol e pode levar a punições severas, mas é preciso que haja provas concretas de que houve de fato uma manifestação racista”, explica Lúcio Correia.
No caso em questão, as acusações giram em torno de uma suposta ofensa de Prestianni a Vinícius durante a partida entre Benfica e Real Madrid pela Liga dos Campeões. O treinador italiano teria chamado o jogador brasileiro de “macaco”, o que gerou revolta e indignação por parte da equipe do Benfica e da torcida.
No entanto, Lúcio Correia ressalta que, no Direito Desportivo, é preciso levar em consideração a versão de ambas as partes e analisar as provas com cautela. “É importante ouvir todas as partes envolvidas e analisar as imagens e relatos de forma imparcial. Além disso, é necessário que haja testemunhas e provas contundentes para que uma acusação de racismo seja levada adiante”, afirma o professor.
No caso em questão, a equipe do Benfica alega que existem provas suficientes para comprovar o racismo de Prestianni, como vídeos e relatos de jogadores e da comissão técnica. No entanto, até o momento, a UEFA, entidade máxima do futebol europeu, não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Caso seja comprovado que houve de fato uma manifestação racista por parte do técnico do Real Madrid, as consequências podem ser graves. De acordo com o Código Disciplinar da UEFA, a punição para casos de racismo pode variar de uma multa de até 100 mil euros até a exclusão de uma competição. Além disso, o treinador pode ser suspenso por um período determinado ou até mesmo banido do futebol.
No entanto, Lúcio Correia ressalta que é preciso tomar cuidado para não banalizar o tema do racismo no futebol e agir com cautela na hora de fazer acusações. “É importante combater o racismo no esporte, mas também é necessário que haja equilíbrio e bom senso na hora de analisar um caso. Não podemos deixar que acusações infundadas prejudiquem a imagem de um profissional sem provas concretas”, destaca o professor.
O caso envolvendo Vinícius e Prestianni não é o primeiro e, infelizmente, não será o último episódio de racismo no futebol. É preciso que as autoridades e entidades esportivas estejam atentas e tomem medidas efetivas para combater esse tipo de comportamento, que vai contra os valores do esporte e da sociedade como um todo.
Por fim, é importante ressaltar que o racismo é crime e deve ser combatido em todas as suas formas. No







