Francisco Pinto Balsemão foi um dos nomes mais importantes da história recente de Portugal. Nascido em Lisboa, em 1937, Balsemão foi um jornalista, empresário e político que deixou um legado significativo no país. Ele enfrentou a ditadura nos jornais, fundou o maior semanário do país, foi primeiro-ministro e lançou a primeira televisão privada em Portugal. Infelizmente, Balsemão faleceu nesta terça-feira, aos 88 anos, deixando uma lacuna no cenário político e midiático português.
Balsemão começou sua carreira como jornalista no jornal “Diário de Lisboa”, onde trabalhou durante a ditadura de Salazar. Ele foi um dos poucos jornalistas que ousaram desafiar o regime opressivo, lutando pela liberdade de expressão e pela democracia. Seu trabalho corajoso e comprometido o levou a ser perseguido e preso pelas autoridades, mas ele nunca desistiu de sua luta.
Em 1974, com a queda da ditadura, Balsemão fundou o semanário “Expresso”, que se tornou o maior e mais influente jornal do país. Com uma abordagem inovadora e independente, o “Expresso” se tornou uma referência no jornalismo português, trazendo notícias e análises de qualidade e abrindo espaço para o debate e a diversidade de opiniões.
Além de seu trabalho no jornalismo, Balsemão também teve uma carreira política de destaque. Ele foi um dos fundadores do Partido Social Democrata (PSD), um dos principais partidos políticos de Portugal, e foi eleito deputado em 1976. Em 1981, Balsemão assumiu o cargo de primeiro-ministro, liderando o país em um momento crucial de sua história, marcado pela transição para a democracia e pela adesão à Comunidade Econômica Europeia.
No entanto, o maior legado de Balsemão talvez seja sua contribuição para o desenvolvimento da mídia em Portugal. Em 1992, ele lançou a SIC, a primeira televisão privada do país. Com uma programação diversificada e de qualidade, a SIC se tornou um sucesso instantâneo e mudou o cenário da televisão em Portugal. Balsemão também foi um dos responsáveis pela criação da TV Cabo, empresa que revolucionou o mercado de televisão por assinatura no país.
Ao longo de sua vida, Balsemão foi reconhecido e premiado por seu trabalho e dedicação. Ele recebeu a Ordem da Liberdade, a mais alta condecoração civil em Portugal, e foi homenageado por diversas instituições e organizações. Seu legado também é lembrado por aqueles que trabalharam com ele e o admiravam, como o atual presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que o descreveu como “um dos grandes vultos da democracia portuguesa”.
A morte de Francisco Pinto Balsemão é uma perda para o país, mas seu legado continuará vivo e inspirando as gerações futuras. Ele foi um homem corajoso, visionário e comprometido com a liberdade e a democracia, deixando um exemplo de luta e determinação que deve ser seguido. Seu trabalho no jornalismo, na política e na mídia deixou uma marca indelével na história de Portugal e seu nome sempre será lembrado com admiração e respeito. Descanse em paz, Francisco Pinto Balsemão.







