O Conselho de Reitores, órgão que reúne os líderes das principais universidades do país, emitiu recentemente uma declaração expressando sua preocupação com o risco de uma “proteção insuficiente da ciência fundamental”. Segundo o Conselho, essa preocupação surge diante da crescente cultura de inovação, que tem sido valorizada em detrimento da ciência fundamental, definida pela curiosidade e pelos horizontes a longo prazo.
De acordo com os Reitores, essa cultura de inovação é caracterizada por missões com foco no retorno econômico a curto prazo, o que pode comprometer o desenvolvimento da ciência fundamental. Isso porque, segundo eles, a ciência fundamental é essencial para a construção de uma base sólida de conhecimento e para a realização de descobertas de longo prazo, que podem gerar avanços significativos em diversas áreas.
É importante destacar que não se trata de uma oposição entre ciência fundamental e inovação, mas sim de uma preocupação com o equilíbrio entre esses dois pilares do conhecimento. A ciência fundamental é a base para a inovação, e sem ela, não haveria avanços significativos em termos de tecnologia, medicina, meio ambiente e outras áreas.
Além disso, a ciência fundamental é movida pela curiosidade e pela busca pelo desconhecido, sem amarras ou pressões por resultados imediatos. Essa liberdade é essencial para a criatividade e para a descoberta de novas soluções e possibilidades. Já a cultura de inovação, embora importante, muitas vezes é guiada por interesses comerciais e pode limitar a liberdade criativa dos pesquisadores.
Os Reitores também alertam para a necessidade de financiamento adequado para a ciência fundamental. Muitas vezes, os recursos são destinados prioritariamente para projetos de inovação, o que pode desencorajar pesquisadores a se dedicarem à ciência fundamental. É preciso reconhecer a importância e o valor da ciência por si só, sem a necessidade de um retorno imediato.
Nesse sentido, é fundamental que haja uma mudança de mentalidade na sociedade como um todo. É preciso valorizar a ciência fundamental e compreender sua importância para o desenvolvimento social, econômico e cultural. É preciso ver além dos resultados imediatos e entender que a ciência fundamental é um investimento a longo prazo, que pode gerar frutos inestimáveis no futuro.
Além disso, é necessário que haja uma maior cooperação entre a academia e o setor privado. A inovação e a ciência fundamental podem caminhar juntas, desde que haja um diálogo e uma parceria efetiva entre esses dois mundos. A troca de conhecimentos e recursos pode ser muito benéfica para ambos os lados, gerando impactos positivos para a sociedade como um todo.
Portanto, é importante que a ciência fundamental seja valorizada e incentivada, para que continue a gerar descobertas e avanços essenciais para o desenvolvimento humano. O Conselho de Reitores nos alerta para a importância de encontrar um equilíbrio entre a cultura de inovação e a proteção da ciência fundamental. E é fundamental que cada um de nós também reflita sobre essa questão e exerça nosso papel na construção de uma sociedade mais consciente e valorizadora do conhecimento em sua essência.







