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Cultura

Anitta traz 'Equilibrivm' a SP com mantras, dança e espiritualidade

Confira os detalhes do show da turnê 'Equilibrivm' de Anitta em São Paulo, com mantras, referências espirituais e performances memoráveis no Parque Villa-Lobos.

Anitta traz 'Equilibrivm' a SP com mantras, dança e espiritualidade
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Anitta traz 'Equilibrivm' a São Paulo com nova proposta artística

A cantora Anitta apresentou no sábado (8) de agosto, no Parque Villa-Lobos em São Paulo, o primeiro show da turnê Equilibrivm, que leva aos palcos os álbuns de mesmo nome lançados entre abril e julho deste ano. Com uma proposta que mescla espiritualidade, meditação e celebração, a apresentação marcou um novo momento na carreira da artista carioca de 33 anos, consolidando a turnê Equilibrivm como um projeto ambicioso e diferenciado.

O público aguardava com expectativa para conhecer o novo material que Anitta preparou para esta fase, considerada por muitos como um ponto de inflexão em sua trajetória. A turnê Equilibrivm, com direção criativa de Nídia Aranha, estreou uma semana antes em Porto Alegre e segue agora para Fortaleza, Niterói e Salvador, todas ainda em agosto.

A estrutura do show e os três atos

Com duração de aproximadamente 1 hora e 50 minutos, o espetáculo foi dividido em três atos, separados por mudanças de figurino. Esta estrutura permitiu que Anitta transitasse entre diferentes atmosferas e propostas musicais ao longo da noite, criando uma narrativa visual e sonora coerente.

No primeiro ato, a cantora abriu descalça, repetindo mantras como "Tô buscando algo que vale mais que ouro". As primeiras faixas apresentadas foram "Ouro", "Contemplação" e "Ternura", deixando claro que esta seria uma apresentação completamente diferente de seus "Ensaios" anteriores. A postura meditativa e o foco em elementos espirituais marcaram profundamente a abertura do show.

Referências espirituais e a música "É d'Oxum"

Um dos pontos altos do primeiro ato foi a interpretação de "É d'Oxum", clássico na voz do baiano Gerônimo Santana. Anitta já havia cantado o ijexá em outras ocasiões ao longo de sua carreira, mas nunca fez tanto sentido em seu repertório quanto neste novo projeto. A escolha reforçava o caráter espiritual e as homenagens às religiões afro-brasileiras que permeiam toda a turnê Equilibrivm.

Seguindo esse tom contemplativo, o show prosseguiu com "Deus mãe", "Sem pressa" e "Bemba", até conectar "Caminhador" com um cover sensível de "Andar com fé", de Gilberto Gil. O público acompanhava de forma mais reservada esse novo ritmo, requebrando lentamente e sambando miudinho, ainda sem se soltar completamente.

Transição entre energias: do sagrado ao profano

Na sequência, o segundo ato trouxe uma mudança significativa. Vestida inteira de vermelho, Anitta elevou a temperatura com vários efeitos de fogos especiais, entoando um mashup potente que conectava "Desgraça", "Mandinga" e "Feitiço". Este momento representou a primeira grande explosão de energia da noite, preparando o terreno para o que viria a seguir.

Contudo, a apresentação diminuiu novamente a intensidade, trazendo "Pinterest" e "So Much Love", números que alguns espectadores consideraram como a parte mais morna do espetáculo. Vale notar que, apesar dos álbuns "Equilibrivm" e "Equilibrivm II" reunirem mais de 20 colaborações, nenhuma participação especial foi confirmada no show de São Paulo.

O terceiro ato: equilíbrio perfeito entre eras

Foi no terceiro ato que a experiência encontrou seu sentido completo. A promessa de uma nova Anitta finalmente se encontrava com a Anitta que o público já conhecia, criando um equilíbrio genuíno e satisfatório. Este foi, indiscutivelmente, o melhor momento da apresentação.

Com percussões marcadas e potentes, faixas como "Você já sabe", "Choka choka" e "Oke" ganharam vida no palco. Neste segmento, Anitta recuperou sua persona de diva pop, com coreografias frenéticas e bem executadas. Destaque para o número solo em "Sal Grosso", onde dançou brevemente ao lado de um Omulu, e o momento em que se apoiou em duas dançarinas para executar a coreografia viral da música.

Aproximadamente 30 faixas com progressão cuidadosa

As cerca de 30 músicas da setlist foram divididas e estruturadas para crescer gradualmente, transitando da meditação à festa, do sagrado ao profano. Esta arquitetura sonora garantiu que o show mantivesse uma coerência narrativa forte do início ao fim. Entre homenagens a grandes nomes da MPB e saudações a orixás como Ogum e Nanã, Anitta apresentou faixas-meditações que incentivavam o público a refletir sobre si mesmo, intercaladas com seus maiores sucessos funkeiros.

A mensagem de autoaceitação no encerramento

Nos momentos finais, Anitta fez uma declaração importante ao público: "Esse projeto é especial porque é onde eu me senti à vontade para ser Larissa com vocês, mas não achem que me envergonho de nada do que fiz na minha carreira". Para provar este ponto, convidou os fãs a formarem uma grande roda e presenteou-os com "Lose Ya Breath".

A apresentação, que havia sido pensada para ser mais intimista, transformou-se em um verdadeiro Carnaval fora de época com "Lugar Perfeito", que traz os versos: "Cheio de fé e positividade, avisa lá que hoje eu vou ter que chegar mais tarde". Esta conclusão reforçava que todas as eras de Anitta estavam presentes no show, integradas de forma harmoniosa e sem negar nenhuma fase de sua carreira.

Conclusão: uma nova fase consolidada

A turnê Equilibrivm revelou uma Anitta mais madura artisticamente, disposta a explorar novas territorialidades sonoras e espirituais sem abandonar a essência que a tornou famosa. O show em São Paulo comprovou que este é um projeto genuíno e bem executado, que merecia toda a expectativa gerada ao seu redor.

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