Popular Hoje segunda-feira, 12 outubro 2026
Economia

Argentina perde 32 mil empresas sob governo Milei

Mais de 32 mil empresas fecharam na Argentina desde novembro de 2023 sob gestão Javier Milei. Dados da SRT revelam queda de 6,3% em registros de empregadores.

Argentina perde 32 mil empresas sob governo Milei
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Argentina registra fechamento de 32 mil empresas sob administração Milei

Desde que Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina no final de 2023, o país contabiliza a saída de 32.290 empresas do cadastro de empregadores formais. Os números, divulgados pela Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) no sábado (10), ilustram uma contração significativa no tecido empresarial argentino durante a gestão que prometia reformas econômicas profundas.

O registro de empregadores formais passou de 512.357 em novembro de 2023, mês anterior à posse de Milei, para 480.067 em julho de 2026. Essa redução corresponde a uma queda de 6,3% no número total de unidades empregadoras ativas no sistema de seguro contra acidentes de trabalho da nação sul-americana.

Série consecutiva de retração econômica

A queda registrada constitui a 18ª redução mensal consecutiva no contingente de empresas formais, evidenciando uma tendência prolongada de contração empresarial. Somente no mês de julho, foram contabilizadas 948 unidades a menos em comparação com junho, mantendo o padrão de declínio ininterrupto que caracteriza este período.

Importante ressaltar que a saída do cadastro não significa, necessariamente, encerramento definitivo das atividades comerciais. A SRT contabiliza apenas empregadores que mantêm pelo menos um trabalhador registrado no sistema de proteção trabalhista. Uma empresa pode desaparecer dessa lista por diversos motivos: encerramento efetivo de operações, redução de funcionários formalizados, reorganização administrativa ou mudanças cadastrais internas.

Impacto no mercado de trabalho formal

Paralelamente à redução de empresas, o mercado de trabalho formal também apresentou contração. Em julho, o total de postos de trabalho formalizados recuou em 3.485 unidades, refletindo não apenas o fechamento de negócios, mas também a dificuldade enfrentada pelas empresas em manter seus quadros de colaboradores.

Fatores econômicos pressionando o setor empresarial

Especialistas e entidades empresariais apontam múltiplos fatores responsáveis pela crise que atinge as empresas da Argentina. O consumo interno enfraquecido representa um dos principais obstáculos, agravado pelo endividamento das famílias e pelo aumento substancial nas contas de serviços básicos.

A Confederação Argentina da Média Empresa (CAME) destaca que o apertamento orçamentário das famílias reduz o poder de compra disponível para consumo não essencial. Os consumidores priorizam despesas básicas, deixando menos recursos para adquirir produtos e serviços oferecidos pelas indústrias e comércio locais.

Custos operacionais elevados e dificuldades de financiamento

A União Industrial Argentina (UIA) identifica os custos energéticos, a carga tributária pesada e as condições restritivas de crédito como principais desafios para pequenas e médias empresas. Com receitas enfraquecidas pela baixa demanda, esses gastos fixos comprometem proporção crescente do faturamento, afunilando as margens de lucro.

O acesso ao crédito, fundamental para investimentos e capital de giro, tornou-se mais difícil e oneroso. As instituições financeiras reduzem oferta de empréstimos e elevam taxas de juros, limitando a capacidade das empresas em financiar operações e expansão.

Concorrência internacional intensificada

Outro elemento decisivo refere-se à abertura comercial implementada pelo governo Milei. A redução de barreiras às importações intensificou a concorrência de produtos estrangeiros no mercado doméstico. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), as compras de bens de consumo do exterior cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 comparado ao mesmo período de 2023.

Durante o mesmo intervalo, a produção industrial argentina recuou 12%, demonstrando que a indústria local não conseguiu acompanhar a competição internacional. Empresas domésticas enfrentam dificuldade em competir com produtos importados, especialmente quando operações locais enfrentam custos elevados e restrições de financiamento.

Políticas de austeridade fiscal e seus efeitos setoriais

O cenário desafiador reflete o forte corte de gastos públicos implementado pelo governo Milei com objetivo de combater a inflação. Essas medidas de austeridade contraem a demanda agregada, afetando setores dependentes de consumo estatal e investimento público.

Os efeitos dessa política variam entre setores econômicos. Em julho, comércio varejista e indústria de transformação apresentaram contração comparado ao mesmo mês de 2025, enquanto atividades como mineração registraram crescimento, beneficiadas por dinâmicas de mercado distintas.

Análise e perspectivas

A conjunção desses fatores — redução de consumo, custos operacionais elevados, dificuldades de financiamento, competição internacional acirrada e políticas de austeridade — cria ambiente hostil para permanência e expansão de negócios. A série de 18 meses consecutivos de redução no número de empresas sugere que as dificuldades se aprofundam ao invés de se dissipar.

As avaliações do CEPA e de confederações empresariais indicam que mudanças significativas nas condições econômicas fundamentais seriam necessárias para reverter essa trajetória. Isso incluiria recuperação da demanda interna, redução de custos operacionais, melhora no acesso ao crédito e reequilíbrio da competição com importações.

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