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Deportação de afegãos para Paquistão preocupa grupos de direitos humanos

Trump planeja deportar afegãos detidos nos EUA via Paquistão. Grupos de defesa alertam sobre risco de represálias do Talibã.

Deportação de afegãos para Paquistão preocupa grupos de direitos humanos
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Plano polêmico de deportação de afegãos gera alerta internacional

A administração Trump iniciou uma operação de deportação de afegãos residentes nos Estados Unidos, encaminhando-os através do Paquistão conforme revelado por documentos judiciais obtidos pela agência Associated Press. A medida de deportação de afegãos, segundo organizações humanitárias internacionais, representa um risco significativo à vida desses indivíduos, especialmente diante do regime talibã que controla o Afeganistão desde 2021.

Documentos processuais confirmam que os primeiros voos de deportação de afegãos deveriam partir da Louisiana na segunda-feira, com destino inicial ao Paquistão. Organismos de proteção aos direitos dos imigrantes denunciam que essa deportação de afegãos viola convenções internacionais de proteção a refugiados, uma vez que muitos desses indivíduos fugiram especificamente da perseguição talibã.

Contexto de fuga e perseguição

Milhares de afegãos deixaram seu país de origem após o colapso do governo apoiado pelos Estados Unidos em 2021. Muitos desses indivíduos haviam colaborado diretamente com as Forças Armadas americanas, agências humanitárias e órgãos de segurança internacional. A perspectiva de serem retornados ao Afeganistão representa uma ameaça concreta à suas vidas, dado que o Talibã é conhecido por perseguir severamente aqueles que auxiliaram potências ocidentais.

Shawn VanDiver, veterano da Marinha dos EUA e presidente da organização de defesa #AfghanEvac, manifestou sua oposição veemente ao plano: "Isso é absolutamente inconcebível. Parece que não há limites para a disposição deles em infringir a lei e violar os direitos humanos."

Operação de deportação de afegãos em andamento

De acordo com documentos judiciais sigilosos, as autoridades de imigração americana confirmaram que imigrantes afegãos já estavam sendo organizados para embarcar em voos fretados. Um documento apresentado perante um tribunal federal da Virgínia reconhece explicitamente que um imigrante afegão estava programado para partir de Alexandria, na Louisiana, com "posterior transporte para o Afeganistão". Adicionalmente, em processos judiciais federais em Oklahoma, promotores revelaram que outros indivíduos afegãos seriam enviados em operações similares na semana seguinte.

O Departamento de Segurança Nacional dos EUA recusou-se a comentar detalhes específicos sobre as operações de deportação de afegãos, citando razões de segurança operacional. Autoridades da Embaixada do Paquistão em Washington também não responderam às solicitações de informação sobre o trânsito de deportados por seu território.

Histórico de deportações questionáveis

A administração Trump já registra um padrão de deportar imigrantes para nações que não são suas terras de origem. Essas práticas ocorrem frequentemente quando relações diplomáticas formais inexistem, como no caso do governo talibã. Em diversos processos judiciais anteriores, magistrados de imigração determinaram que as vidas de certos indivíduos correriam perigo se retornados aos seus países. Permanece incerto se algum dos designados para retornar ao Afeganistão dispõe de ordens judiciais de proteção contra tal envio.

Reações de organizações de direitos humanos

A Human Rights First, organização que monitora voos de repatriação americanos, confirmou um voo programado da Louisiana ao Paquistão na terça-feira com imigrantes afegãos a bordo. Savitri Arvey, diretora de políticas da organização, declarou: "É extremamente ultrajante que esta administração planeje realizar um voo de deportação em massa sem precedentes de afegãos, enviando-os à força através do Paquistão e diretamente para as mãos do Talibã."

Arvey também contextualizou esse padrão dentro de outras operações controversas supervisionadas pela administração: "Isso ocorre na sequência de outros voos inaceitáveis que monitoramos durante esta administração, incluindo cristãos iranianos convertidos e dissidentes políticos deportados para o Irã através do Catar e do Kuwait, bem como um dissidente político russo deportado para a Rússia através do Egito."

Posicionamento do Congresso americano

Legisladores democratas utilizaram plataformas digitais para expressar preocupação com a operação de deportação de afegãos. A senadora Jeanne Shaheen publicou: "É repreensível que o governo Trump planeje deportar centenas de afegãos, incluindo mulheres, crianças e aqueles que apoiaram as forças americanas, para o Paquistão — que então correm o risco de serem enviados de volta para as mãos do Talibã. O Congresso deve se opor a isso."

O senador Richard Blumenthal acrescentou sua crítica através do LinkedIn: "Fizemos uma promessa aos nossos aliados afegãos: a de que, após ajudarem a proteger nossas tropas durante o conflito no Afeganistão, os Estados Unidos não os abandonariam. Esta administração está traindo essa promessa, deportando-os para uma possível tortura e morte."

Mudanças na política de refugiados

Desde o início de seu segundo mandato, Trump suspendeu programas de reassentamento de refugiados afegãos estabelecidos pela administração anterior. Essa decisão faz parte de um conjunto mais amplo de decretos executivos destinados a restringir significativamente a imigração. Entre as medidas adotadas está a alteração drástica dos critérios de admissão, com priorização de candidatos sul-africanos brancos, marcando uma mudança ideológica substancial na política de acolhimento.

Em setembro, o governo Trump finalizou uma prorrogação de última hora para evitar o fechamento da base aérea de As Sayliyah no Catar, que abriga mais de mil afegãos que colaboraram no esforço militar americano ou que são parentes próximos de militares estadounidenses. O funcionamento da base foi estendido por nove meses adicionais.

Impacto humanitário global

As mudanças implementadas na política imigratória deixaram milhares de pessoas em situação precária. Indivíduos que fugiram de conflitos armados e perseguição, que completaram longos e rigorosos processos de seleção para tentar reconstruir suas vidas nos Estados Unidos, agora se encontram abandonados em diversos locais geográficos pelo mundo, incluindo campos e bases militares como a instalação do Catar. Essa situação levanta questões críticas sobre as responsabilidades humanitárias internacionais e o cumprimento de compromissos diplomáticos históricos com aliados que auxiliaram nações ocidentais em operações militares.

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