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EUA e Irã chegam a acordo para cessar hostilidades no Golfo

EUA e Irã acordam em interromper ataques e retomar negociações no Golfo Pérsico. Reunião em Doha prevista para terça-feira visa encerrar conflito.

EUA e Irã chegam a acordo para cessar hostilidades no Golfo
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/28/eua-e-ira-entram-em-acordo-para-interromper-ataques-e-retomar-dialogo-apos-acoes-militares.ghtml

Acordo anunciado para encerrar ciclo de retaliações

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para interromper as hostilidades que marcam a região do Golfo Pérsico, segundo informações divulgadas neste domingo. A medida representa um passo significativo para encerrar a sequência de ataques e contra-ataques que ameaçava inviabilizar o entendimento provisório firmado anteriormente entre as partes envolvidas no conflito.

A concordância entre EUA e Irã inclui a suspensão imediata das operações militares e a retomada das negociações diplomáticas sobre questões cruciais na região, particularmente aquelas relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta.

Reunião diplomática marcada para Doha

Conforme relatado pelo site Axios, citando fonte de alto escalão do governo norte-americano, os dois países planejam se reunir na terça-feira (30) na capital do Catar, Doha. Um porta-voz da Casa Branca que manteve anonimato confirmou oficialmente à agência Reuters a interrupção dos ataques, validando assim as informações sobre o acordo alcançado.

Esta reunião marca um retorno à mesa de negociações após dias intensos de confrontos militares, demonstrando disposição de ambas as partes em buscar soluções através do diálogo diplomático em vez de escalada militar.

Contexto de ataques e tensões recentes

O ciclo de retaliações que levou ao acordo de cessar-fogo começou quando um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira anterior. Tanto os EUA quanto o Irã acusaram mutuamente de violar o cessar-fogo provisório que havia sido acordado em 17 de junho, alimentando uma série de operações militares.

Na manhã do domingo, após ameaças do presidente Donald Trump de eliminar a liderança iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein. Trump havia declarado nas redes sociais que, se a situação prosseguisse, "a República Islâmica do Irã deixaria de existir".

Reações internacionais e danos relatados

O Exército do Kuwait informou ter acionado suas defesas aéreas em resposta aos ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein registrou o acionamento de múltiplas sirenes de alerta. Uma autoridade norte-americana confirmou à Reuters que o Irã havia visado instalações dos EUA, mas negou relatos significativos de baixas ou danos estruturais aos locais americanos, embora a situação permanecesse em desenvolvimento.

Horas depois dos primeiros ataques, alarmes soaram novamente no Bahrein, onde autoridades informaram que uma estrutura residencial na província de Muharraq foi danificada por um ataque iraniano, sem registro de vítimas. O país solicitou uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar o Irã pelos ataques.

O Exército do Kuwait divulgou ter interceptado dois mísseis balísticos sem registrar danos ou perdas de vidas. Separadamente, o Catar informou que um de seus cidadãos faleceu devido a ferimentos causados por estilhaços a bordo de uma embarcação que havia desaparecido no sábado, com uma segunda pessoa ferida no incidente atribuído a "operações militares na região".

Situação no Líbano complica negociações

Paralelamente aos eventos no Golfo, Israel realizou novos ataques contra militantes do Hezbollah no Líbano, grupo apoiado pelo Irã, destruindo infraestrutura subterrânea utilizada pela organização em localidades do sul do país. Estas ações ocorreram logo após a implementação de um novo acordo de cessar-fogo com o Líbano, firmado na sexta-feira para reduzir os combates na região.

Segundo o Irã, a cessação dos conflitos no Líbano constitui condição essencial para manter vigente o acordo mais amplo entre as potências envolvidas no conflito regional, agregando complexidade às negociações em curso.

Fragilidade do acordo de 14 pontos

O acordo de paz provisório estabelecido em 14 pontos tinha como objetivo principal interromper os combates iniciados pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, além de reabrir o Estreito de Ormuz enquanto prosseguiam as negociações sobre temas sensíveis como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais.

Em sinal da fragilidade deste entendimento, o Irã cancelou conversas técnicas agendadas com os EUA para o domingo, alegando os ataques recentes ao país e o não cumprimento de certas condições estabelecidas no Memorando de Entendimento entre as partes. Um membro do Gabinete de Preservação e Publicação das Obras do Líder Supremo iraniano declarou que questões como o acesso aos fundos descongelados permaneciam sem solução satisfatória.

Rodada anterior de negociações e sanções suspensas

Uma rodada de negociações mediadas, conduzida pelo vice-presidente norte-americano JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano Mohammad Baqer Qalibaf, havia sido realizada na Suíça uma semana antes dos eventos recentes. Durante este encontro, Washington suspendeu certas sanções contra Teerã como demonstração de boa vontade diplomática.

Contudo, os combates foram retomados e intensificados significativamente após este encontro, demonstrando as dificuldades em manter o cumprimento do acordo de cessar-fogo entre as partes e sinalizando a necessidade contínua de negociações para resolver questões de segurança e confiança mútua na região.

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