Gilmar Mendes solicita cópia completa do celular de Vorcaro ao STF
Ministro Gilmar Mendes pede acesso integral ao celular de Daniel Vorcaro para julgamento marcado no STF. Confira os detalhes dessa decisão polêmica.

Pedido de acesso ao dispositivo móvel de Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes solicitou neste domingo que o diretor-geral da Polícia Federal encaminhe uma cópia integral do dispositivo móvel de Daniel Vorcaro apreendido na Operação Compliance Zero. O celular de Vorcaro tornou-se peça fundamental nos procedimentos judiciais que serão analisados pelos ministros da Corte nos próximos dias, gerando debates intensos sobre o acesso às informações.
De acordo com Mendes, a duplicação do aparelho é essencial para fundamentar o julgamento agendado para terça-feira (15), quando o plenário deve deliberar sobre o relatório da Polícia Federal que envolve mensagens de Vorcaro e do ministro Alexandre de Moraes. O ministro reforçou que celular de Vorcaro permanecerá sob regime rigoroso de confidencialidade, com restrição de acesso limitado ao seu gabinete.
Garantias de sigilo e restrições de acesso
Gilmar Mendes afirmou categoricamente que "não se cogita de qualquer levantamento de sigilo" relacionado ao dispositivo. Segundo sua determinação, o material seguirá submetido a regime rigoroso de restrição, sendo disponibilizado apenas para pessoas vinculadas aos mesmos compromissos de confidencialidade que obrigam o relator e a própria autoridade policial. O ministro enfatizou que se trata de acesso interno, não de divulgação pública.
"O que se pede não é divulgação, mas apenas acesso interno, por quem está submetido ao mesmo dever de sigilo que vincula o Relator e a própria autoridade policial", declarou Mendes em seu despacho. Essa posição reflete a tentativa de equilibrar a necessidade de informação dos ministros com a proteção dos dados sensíveis contidos no aparelho.
Especificações técnicas do dispositivo apreendido
O aparelho em questão trata-se de um iPhone 17 Pro que foi apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez. A extração e análise do conteúdo deste celular de Vorcaro tornaram-se centrais para as investigações que agora serão discutidas no plenário do STF, gerando diferentes posicionamentos entre os magistrados sobre como proceder com as informações obtidas.
Fundamentação do pedido de Mendes
Mendes argumentou que sem a verificação integral da mídia armazenada no gabinete do ministro André Mendonça há mais de seis meses, não é possível identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório. Além disso, o ministro ressaltou que não há como aferir a integralidade do material recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção apresentada ao plenário.
Essa argumentação coloca em questão a completude do relatório apresentado pela Polícia Federal e sugere possíveis lacunas nas informações disponibilizadas aos ministros para julgamento. Mendes deixa implícito que sua análise pode ser comprometida caso não tenha acesso ao conteúdo completo do celular de Vorcaro.
Determinação anterior de Cristiano Zanin
Mais cedo, o ministro Cristiano Zanin havia determinado que o diretor-geral da Polícia Federal entregasse até as 23h do domingo uma cópia integral do dispositivo móvel de Daniel Vorcaro. Essa determinação precedeu o pedido de Mendes e já sinalizava a pressão exercida por alguns ministros para obter acesso irrestrito às informações contidas no aparelho.
Zanin argumentou em seu despacho que não existe hierarquia entre os ministros do STF e que as provas pertencem ao plenário da Corte e a seus integrantes, não a um único magistrado. Ele também reiterou que a própria Polícia Federal confirmou ter plenas condições de fornecer cópia da mídia a todos os gabinetes da Corte sem prejudicar a cadeia de armazenamento de provas.
Posicionamento do ministro André Mendonça
Em contraste, o ministro André Mendonça havia enviado ofício sustentando que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído do celular de Vorcaro "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e colocaria "em risco todo o seguimento e êxito das investigações". Mendonça argumentou que todos os ministros já contavam com o material necessário para deliberar adequadamente sobre o caso.
Essa divergência de posições ilustra o tensionamento interno no STF quanto ao acesso às informações. Enquanto alguns ministros defendem a necessidade de análise completa do aparelho, outros preocupam-se com possíveis consequências negativas dessa abertura para as investigações em curso.
Contexto do julgamento e dinâmica institucional
A decisão de Zanin aprofundou o clima de tensão no STF a apenas dois dias do julgamento marcado no plenário para terça-feira (15). Nessa sessão, os ministros devem analisar o relatório sobre mensagens de celular envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes, em um caso que se reveste de características inéditas na história recente da Corte.
Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin vinham cobrando acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho para contextualização ampla dos fatos antes de qualquer deliberação do plenário. Essa posição contrasta significativamente com a argumentação apresentada por Mendonça e outros ministros que temem consequências operacionais negativas.
Validade jurídica do relatório em discussão
Na sessão de julgamento prevista para terça-feira, os ministros discutirão a validade do documento da Polícia Federal elaborado a pedido do ministro André Mendonça. O relatório sofreu críticas de diversos magistrados da Corte, sendo questionado principalmente se Mendonça tinha autorização do plenário para solicitar investigação de um colega.
Esse aspecto processual coloca em pauta questões fundamentais sobre como devem funcionar investigações internas que envolvam membros da própria Corte. O precedente a ser estabelecido neste julgamento pode repercutir significativamente na jurisprudência e nas práticas institucionais do STF nos próximos anos.
Panorama de votos e incertezas eleitorais
Até o momento, seis votos são considerados mais consolidados. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Alexandre de Moraes, enquanto André Mendonça contaria com apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Existe incerteza significativa sobre os votos dos ministros Fachin e Cármen Lúcia, que têm recebido sinalizações dos dois lados.
O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar do julgamento, já que o caso é desdobramento do Master e ele se declara suspeito de votar em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações. Contudo, há debate sobre a possibilidade de Toffoli votar, considerando que a discussão envolve questões processuais relacionadas ao modelo de investigação de integrantes da Corte.