iPhone no Brasil libera lojas rivais e pagamentos terceiros
Apple e Cade chegam a acordo: iPhone no Brasil passa a aceitar lojas de apps rivais e sistemas de pagamento de terceiros a partir do iOS 26.5.

iPhone no Brasil: nova era de pluralidade em aplicativos e pagamentos
A partir de agora, proprietários de iPhone no Brasil conquistaram o direito de acessar lojas de aplicativos alternativas e utilizar sistemas de pagamento de terceiros. Essa transformação, que entrou em vigência nesta quinta-feira (18), representa o desfecho de uma longa negociação entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), consolidando mudanças estruturais no ecossistema da marca.
O que muda na experiência do usuário
A abertura do iPhone no Brasil para lojas rivais significa que os consumidores agora dispõem de alternativas concretas à App Store tradicional. Ao realizar compras ou aderir a assinaturas de aplicativos, os usuários poderão escolher entre diferentes métodos de pagamento, sem estar limitados exclusivamente ao sistema proprietário da Apple.
A interface dos iPhones apresentará ambas as opções – tanto a solução Apple quanto as de terceiros – de forma equivalente e lado a lado, permitindo que cada usuário tome a decisão que melhor se adequa às suas necessidades. Essa mudança se concretiza através da atualização para o iOS 26.5, que pode ser ativada manualmente acessando Ajustes, seguido de Geral e Atualização de Software.
Cronologia: como chegamos até aqui
O caminho até essa transformação do iPhone no Brasil foi marcado por diversos marcos legais e administrativos. A investigação do Cade iniciou em dezembro de 2022, motivada por denúncia apresentada pelo Mercado Livre, que apontava possível abuso de dominância na distribuição de aplicativos para dispositivos iOS.
Em novembro de 2024, a Superintendência-Geral do Cade formalizou um processo administrativo e estabeleceu uma medida preventiva determinando que a Apple permitisse aos desenvolvedores e usuários a escolha de sistemas alternativos de pagamento. Em maio de 2025, mesmo após recurso da empresa ao Tribunal do Cade, a medida preventiva foi mantida.
Posteriormente, em junho de 2025, a Superintendência-Geral recomendou a condenação da Apple após identificar um padrão de ações restritivas associadas à comercialização de conteúdos digitais dentro do ambiente iOS. A empresa respondeu iniciando negociações em julho de 2025, que culminaram no acordo aprovado em dezembro de 2025.
Segurança e proteções implementadas
A Apple argumentou historicamente contra essa abertura, alegando preocupações legítimas com segurança e privacidade dos usuários. Embora reconheça o novo modelo, a empresa implementou salvaguardas significativas para mitigar esses riscos no iPhone no Brasil.
As proteções incluem autenticação de aplicativos iOS, um processo de autorização obrigatório para lojas de apps alternativas, e requisitos específicos para proteger usuários menores contra conteúdo impróprio e fraudes. Conforme comunicado oficial, a Apple deixa claro que não pode garantir idêntico nível de segurança oferecido pela App Store em plataformas alternativas.
As lojas de aplicativos rivais necessitam obter autorização prévia da Apple e cumprir todos os requisitos estabelecidos pela empresa para disponibilizar seus serviços. Essa estrutura de controle, embora permita pluralidade, mantém um nível de supervisão sobre o que é distribuído nos dispositivos.
Modelo de comissões e receita
A Apple não abriu mão completamente de sua fonte de receita. A empresa continuará cobrando comissões sobre transações realizadas no ecossistema iOS brasileiro, mesmo com a liberação de lojas rivais e pagamentos terceiros.
Para desenvolvedores que distribuem aplicativos pela App Store, a comissão estabelecida é de 21% sobre vendas de bens e serviços digitais. Programas especiais como o de Pequenas Empresas receberão taxa reduzida de 10%, assim como assinaturas após o primeiro ano de vigência.
Quando desenvolvedores utilizam o sistema de compras nativo da Apple, uma taxa adicional de 5% é aplicada. Para vendas em sites vinculados aos aplicativos, a comissão é de 15%, com redução para 10% para desenvolvedores elegíveis. Aplicativos distribuídos fora da App Store terão comissão de 5% sobre transações de bens e serviços digitais.
Segundo a declaração da empresa, o novo modelo não aumenta a carga financeira para desenvolvedores que já operavam no ecossistema. Aqueles que não comercializam bens e serviços digitais continuarão isentos de qualquer taxa ou comissão à Apple.
Paralelo com regulação europeia
A transformação do iPhone no Brasil segue trajetória similar à implementada na União Europeia. O continente europeu forçou mudanças semelhantes na estrutura de distribuição de aplicativos Apple, eliminando a exclusividade da App Store e permitindo pagamentos alternativos. A experiência europeia serviu como precedente para argumentação regulatória brasileira, demonstrando viabilidade técnica e comercial da pluralidade.
Penalidades e cumprimento do acordo
O acordo estabelece consequências significativas em caso de descumprimento. A Apple está sujeita a multa máxima de R$ 150 milhões caso não cumpra totalmente os termos acordados. Além da penalidade financeira, o Cade poderia retomar a investigação administrativa e reativar a medida preventiva original.
Essa estrutura de incentivos garante que a abertura do iPhone no Brasil não seja meramente simbólica, mas represente transformação concreta nas operações da empresa no país. O mecanismo de supervisão contínua do regulador brasileiro assegura que a implementação permaneça efetiva e conforme os termos negociados.
Impacto no desenvolvimento de aplicativos
Para a comunidade de desenvolvedores brasileiros, essa abertura representa oportunidade significativa de redução de custos operacionais e maior autonomia nas estratégias comerciais. Aplicativos que anteriormente dependiam exclusivamente da App Store agora podem utilizar canais alternativos e sistemas de pagamento mais alinhados às suas necessidades específicas.
A pluralidade de lojas de apps também incentiva competição saudável, potencialmente beneficiando usuários através de maior variedade de oferta, preços competitivos e modelos comerciais inovadores que não foram viáveis sob a monopolização anterior.
Perspectivas futuras
O acordo entre Apple e Cade estabelece precedente importante para discussões regulatórias futuras sobre práticas anticoncorrenciais em ecossistemas digitais fechados. Conforme o modelo de iPhone no Brasil se estabiliza, outras jurisdições podem avaliar estruturas similares, acelerando transformações globais no setor de tecnologia móvel.