Popular Hoje quarta-feira, 28 outubro 2026
Economia

Lula critica política de superávit e defende investimento do governo

Presidente Lula afirma que governo deve parar com política de superávit para investir e gerar empregos. Declarações feitas em comício de campanha em Curitiba.

Lula critica política de superávit e defende investimento do governo
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Posicionamento de Lula sobre investimento estatal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou-se criticamente em relação à política de superávit durante comício realizado em Curitiba (PR) no sábado (12). O mandatário argumentou que a política de superávit representa um obstáculo para o crescimento econômico e geração de empregos no país.

Durante o evento de campanha para reeleição ao cargo de Presidente da República no pleito de outubro, Lula declarou que a economia brasileira necessita de expansão para criar oportunidades de trabalho. Para o presidente, a solução passa por aumentar os investimentos governamentais e abandonar o que classificou como "babaquice de fazer superávit".

Declarações presidenciais sobre economia e crescimento

Em suas falas, o chefe do Executivo conectou diretamente a geração de emprego ao crescimento econômico. Segundo Lula, para que a economia se expanda, o governo precisa investir recursos. A condição para isso, na visão presidencial, seria encerrar a priorização da política de superávit nas contas públicas.

"Pra gerar emprego, a economia tem que crescer, e para economia crescer, o governo tem que investir. E para governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal. Porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos, R$ 1,3 trilhão. O restante é investimento", afirmou o presidente durante o comício.

Na avaliação de Lula, o principal desafio fiscal não seria o volume absoluto de gastos, mas especificamente o custo dos juros que o país paga anualmente. Ele argumenta que o restante dos gastos governamentais constitui investimento produtivo necessário para o desenvolvimento nacional.

Preocupações de analistas com contas públicas

Especialistas em economia têm manifestado inquietação persistente com a trajetória das contas públicas brasileiras. Os analistas avaliam que os déficits fiscais sucessivos dos últimos anos exercem pressão significativa sobre a taxa de juros e, por consequência, amplificam o endividamento público.

Para reduzir a taxa de juros e conter o aumento da dívida, esses especialistas cobram um ajuste fiscal mais rigoroso por parte do governo federal. Eles argumentam que sem controle fiscal mais severo, torna-se difícil romper o ciclo de juros elevados que caracteriza a economia brasileira atualmente.

Mecanismos de formação de taxas de juros

Economistas especializados observam que reduzir a taxa básica da economia, conhecida como Selic — que se encontra em 14% ao ano — por determinação sem embasamento técnico não garante necessariamente a redução dos juros na economia de forma ampla. Isso ocorre porque os juros de longo prazo são definidos pelo mercado financeiro e refletem expectativas sobre inflação futura, atividade econômica esperada e gastos públicos previstos.

Quando essas expectativas deterioram-se, investidores passam a exigir taxas de juros mais elevadas para financiar operações com o governo. Esse mecanismo perpetua a manutenção de juros altos na economia, independentemente de decisões sobre a Selic tomadas sem fundamento analítico adequado.

Ciclo vicioso da dívida pública

Diante da escalada da dívida pública e do aumento da desconfiança sobre as contas do governo federal, os investidores passaram a exigir taxas de juros substancialmente maiores para financiar as operações estatais. Essa dinâmica eleva o custo associado à chamada rolagem da dívida pública, realizada por meio da emissão de títulos pelo Tesouro Nacional, e também aumenta o endividamento brasileiro em um processo caracterizado como "ciclo vicioso".

Contradição entre discurso de campanha e plano de governo

As declarações recentes do presidente criam tensão com o plano de governo petista protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse documento promete uma "política fiscal responsável" destinada a impulsionar investimentos produtivos, estimular o crescimento econômico de longo prazo e possibilitar redução sustentada da taxa de juros.

O plano oficial estabelece que "o resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções".

Posicionamentos anteriores do presidente

As declarações atuais de Lula também contrastam com pronunciamentos anteriores feitos em entrevista à TV Globo no fim de agosto. Naquela ocasião, o presidente garantiu que o país alcançará superávit e revelou intenção de implementar uma "revolução tecnológica" em um eventual próximo mandato, com investimentos significativos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa.

"Eu quero voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico. Esse país vai ter que ser dono dos minerais críticos, das terras raras. [...] É esse o futuro que eu quero para o país e é por isso que eu estou pleiteando o quarto mandato. Eu já acabei com a fome duas vezes. Quando eu voltei agora, esse país estava destruído. O déficit era 2,8%. O último foi 0,8% e, agora, vai ser positivo. Nós vamos fazer superávit", havia declarado Lula em agosto.

Posição do Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, designado para falar em nome da campanha presidencial, tem reiterado nas últimas semanas que o governo buscará retomar a trajetória de superávit nas contas públicas a partir de 2027, caso Lula seja reeleito. Essa posição mantém coerência com o plano de governo protocolado.

A proposta de orçamento encaminhada ao Congresso Nacional contempla uma projeção de saldo positivo equivalente a R$ 18,6 bilhões — sucedendo a previsão do mandato atual inteiro com as contas no vermelho. O objetivo da área econômica é possibilitar a redução da taxa de juros, atualmente em patamar de 14% ao ano, considerado entre os maiores do mundo em termos reais.

Ajuste fiscal gradual proposto

As declarações do ministro da Fazenda e a proposta orçamentária abrangem um ajuste das contas governamentais equivalente a dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB) em um eventual novo mandato presidencial de Lula, mantendo um ritmo gradual de melhora nas contas públicas.

O objetivo central dessa estratégia seria conter o crescimento da dívida pública, que atingiu 82% do PIB em junho — o maior patamar registrado desde a pandemia. A dívida apresentou crescimento superior a 10 pontos percentuais durante a atual gestão de Lula, movimento que o governo pretende reverter para possibilitar redução da taxa de juros da economia.

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