Popular Hoje domingo, 12 julho 2026
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Mendonça determina apreensão de passaporte de publicitário investigado

Ministro do STF André Mendonça ordena apreensão de passaporte de publicitário ligado a Daniel Vorcaro na operação contra fraude do Banco Master.

Mendonça determina apreensão de passaporte de publicitário investigado
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/11/mendonca-manda-apreender-passaporte-de-publicitario-ligado-a-daniel-vorcaro.ghtml

Ministro do STF determina apreensão de passaporte em investigação sobre Banco Master

O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu determinação neste sábado para proceder à apreensão de passaporte de publicitário vinculado ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. A medida foi confirmada pela assessoria da corte suprema e faz parte das investigações relacionadas ao caso de fraude envolvendo a instituição financeira que resultou em sua liquidação.

A apreensão de passaporte do publicitário Thiago Miranda representa um endurecimento das ações judiciais contra os investigados. O documento que formalizou a decisão permanece sob sigilo, conforme procedimentos adotados pelo tribunal. Mendonça atua como relator de todas as ações judiciais ligadas à fraude do Banco Master que tramitam perante o STF.

Investigações contra Thiago Miranda intensificam-se na 10ª fase

Miranda tornou-se alvo formal de investigação criminal após ser incluído na 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira passada. Segundo as apurações da Polícia Federal, o publicitário é investigado por coordenar campanhas em plataformas digitais com o propósito de prejudicar a reputação e as ações do Banco Central do Brasil.

Os investigadores conduzem apurações sobre a possível existência de uma estrutura criminosa organizada dedicada à intimidação sistemática de profissionais da imprensa, monitoramento de indivíduos próximos a autoridades públicas e apropriação indevida de dados sigilosos. Essas atividades teriam ocorrido durante todo o processo que levou à liquidação do Banco Master.

Quem é Thiago Miranda e sua atuação empresarial

Thiago Miranda é proprietário da Miranda Comunicação, empresa conhecida comercialmente como Agência MiThi. Nas redes sociais, o publicitário também se identifica como fundador e sócio do portal de notícias Léo Dias, plataforma digital de conteúdo jornalístico.

A Polícia Federal investiga se Miranda contratou criadores de conteúdo digital para realizar campanha coordenada de defesa do Banco Master e ataque simultâneo ao Banco Central durante a crise que precedeu a liquidação da instituição financeira. Em depoimento prestado à PF em março, Miranda negou que houvesse contratação de influencers para atacar órgãos públicos, argumentando que as ações visavam exclusivamente à "reconstrução reputacional da imagem" do dono do Master.

Esquema de contratação de influencers revelado

O jornal G1 divulgou em janeiro um esquema de contratações de influencers que funcionava para amplificar campanhas contra o Banco Central. Um criador de conteúdo digital baseado em São Paulo, que solicitou anonimato, revelou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem crítica ao Banco Central, publicada em dezembro do ano anterior.

De acordo com o relato do influencer, o pagamento foi realizado pela empresa de Thiago Miranda. Posteriormente, o criador afirmou ter recusado proposta de contrato com duração de três meses para continuar produzindo conteúdos similares. O contrato oferecido previa a produção mensal de oito vídeos e teria resultado no recebimento de R$ 188 mil ao término do período, após desconto de comissão.

Operação Compliance Zero avança com novos mandados

De acordo com informações da Polícia Federal, estão sendo executados dois mandados de busca e apreensão em Brasília, ambos determinados pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro André Mendonça, na qualidade de relator das ações sobre o caso Master, aponta Miranda como principal orquestrador do esquema investigado.

Conforme a análise contida na decisão judicial, o objetivo das atividades seria descredibilizar instituições públicas, atacar especificamente a atuação do Banco Central e manipular artificialmente a opinião pública. As apurações indicam que o grupo investigado teria utilizado informações obtidas através de mecanismos ilícitos, incluindo quebra de sigilo telefônico e bancário, além de acessos indevidos a dados cadastrais e financeiros de jornalistas, concorrentes e seus familiares, com propósito de coagir e intimidar pessoas que se recusassem a aderir aos objetivos do esquema.

Medidas cautelares e crimes apontados

Na decisão, o ministro André Mendonça autorizou a apreensão de documentação física e eletrônica, equipamentos de armazenamento de dados, suportes de mídia diversos, além de bens de alto valor econômico e numerário em espécie superior a R$ 20 mil. Os policiais também investigam possíveis tentativas de interferência em procedimentos criminais em andamento.

Segundo relatórios da Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar, em tese, os seguintes tipos penais: crime contra o sistema financeiro nacional; organização criminosa; embaraço à investigação de organização criminosa; além de outros possíveis delitos, tais como violações de proteção de dados pessoais e crimes contra dispositivos informáticos. As investigações prosseguem sob rigor processual, aguardando novas etapas da Operação Compliance Zero.

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