Popular Hoje quinta-feira, 3 setembro 2026
Economia

Nova York proíbe IA em escolas públicas até 8ª série

Nova York suspende uso de inteligência artificial em escolas públicas de educação infantil e fundamental. Afeta 600 mil alunos até setembro de 2027.

Nova York proíbe IA em escolas públicas até 8ª série
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Nova York implementa restrição histórica de inteligência artificial em escolas públicas

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou oficialmente nesta quarta-feira (2) uma suspensão significativa do uso de inteligência artificial em instituições de educação pública. A medida abrange alunos desde a pré-escola até a 8ª série e representa um movimento importante contra a expansão de tecnologias de IA generativa nas salas de aula. Esta decisão afetará aproximadamente 600 mil estudantes ao longo do próximo ciclo educacional.

Alcance e duração da proibição de inteligência artificial

A proibição de inteligência artificial vigorará durante todo o ano letivo de 2026 e 2027, começando em 10 de setembro e finalizando em junho de 2027. A administração municipal estabeleceu diretrizes rigorosas que impedem o funcionamento de qualquer software que utilize tecnologia de IA generativa para fins estudantis diretos. De forma ainda mais restritiva, os chatbots que simulam interações humanas reais foram banidos completamente de todas as séries escolares, independentemente da idade dos alunos.

Conforme informações divulgadas pela gestão municipal, as escolas públicas de Nova York utilizavam aproximadamente 40 ferramentas educacionais diferentes que incorporam inteligência artificial em seus processos. Todas estas plataformas precisarão ser removidas das operações rotineiras das salas de aula durante este período de restrição.

Justificativa oficial da administração municipal

O prefeito Mamdani explicou que a decisão baseia-se na crença de que a educação infantil não deve ser dependente de inteligência artificial, contrariando narrativas do setor tecnológico. "A indústria de tecnologia quer que acreditemos que a educação infantil impulsionada por inteligência artificial não só é inevitável, como também necessária. Nós não vemos as coisas dessa forma", declarou o gestor público.

Na perspectiva da administração, a educação fundamental deve manter seu foco em metodologias que enfatizem questionamento crítico e pensamento investigativo. Mamdani ressaltou que todos os dias as crianças aprendem a formular perguntas significativas e a questionar suposições em suas escolas. Esta mesma abordagem analítica deve permear as decisões sobre tecnologia educacional.

Programas alternativos e de sensibilização

Embora a proibição seja abrangente, a administração não descartou completamente a utilização de inteligência artificial no contexto educacional. A cidade implementará programas de educação digital que funcionarão duas vezes ao longo de cada ano letivo, visando preparar todos os alunos dos últimos anos do ensino fundamental para uma compreensão básica e crítica de tecnologias de IA.

Além disso, a prefeitura desenvolverá iniciativas piloto selecionadas onde determinados estudantes poderão acessar ferramentas de inteligência artificial de forma controlada, sempre sob supervisão direta de educadores treinados. Estas experiências monitoradas permitirão avaliar potenciais benefícios educacionais enquanto minimizam riscos associados ao uso descontrolado de tecnologia.

Permissões para profissionais da educação

Enquanto alunos enfrentam restrições significativas ao uso de inteligência artificial, os professores e demais profissionais escolares continuarão tendo permissão para utilizar estas ferramentas em contextos administrativos e de planejamento. Os educadores poderão recorrer a tecnologias de IA para preparação de aulas, organização de cronogramas, estruturação de materiais pedagógicos e outras tarefas que não envolvam interação direta com estudantes durante o processo de aprendizagem.

Argumentação sobre desenvolvimento humano

A gestão municipal ressalta que o desenvolvimento integral das crianças exige conexão e interação genuinamente humanas. Segundo a perspectiva apresentada, estudantes necessitam de professores presentes, de relacionamentos significativos com educadores e da oportunidade de enfrentar e resolver problemas complexos utilizando suas próprias capacidades cognitivas. A mediação tecnológica destas experiências poderia comprometer habilidades sociais, emocionais e analíticas essenciais.

Histórico de restrições em Nova York

Esta não é a primeira vez que o sistema educacional de Nova York busca regular a presença de inteligência artificial nas instituições escolares. Quando o ChatGPT foi lançado em 2022, as escolas públicas da cidade implementaram uma proibição temporária da plataforma logo após seu surgimento no mercado. Aquela restrição inicial foi posteriormente revogada e substituída por uma abordagem diferente, que envolveu a implementação de um assistente educacional personalizado também baseado em inteligência artificial.

A decisão atual representa uma mudança de posicionamento em relação àquela experiência anterior, sinalizando uma reflexão mais profunda sobre os impactos reais destas tecnologias no processo educacional infantil e fundamental.

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