Os Amantes retorna com álbum misturando brega e indie rock
Após pausa de dois anos, trio paraense lança 'Amar, amor!' com dez faixas que unem tecnobrega e influências do indie rock contemporâneo.

Retorno do trio com novo projeto discográfico
O grupo Os Amantes volta ao cenário musical com o lançamento de seu segundo trabalho de estúdio, intitulado "Amar, amor!". A produção chega após um período de afastamento e marca o reencontro da cantora paraense Jaloo com o duo Strobo, formado por Arthur Kunz e Léo Chermont. Este novo álbum consolida a proposta artística que caracteriza Os Amantes, mantendo a fusão entre a música paraense tradicional e as sonoridades contemporâneas do indie rock.
Trajetória marcada por intervalos criativos
A história de Os Amantes é definida por períodos espaçados de produção e lançamentos. O projeto iniciou-se oficialmente em 2019, quando o single "Ninguém" foi apresentado ao público. Dois anos depois, em 2021, chegou o álbum de estreia homônimo "Os Amantes". Agora, com "Amar, amor!" em 2024, o trio mantém essa dinâmica particular de desenvolvimento criativo, com um intervalo de aproximadamente cinco anos entre seus trabalhos de longa duração. Os últimos dois anos e meio representaram um hiato que finalmente chega ao fim com este novo projeto.
Estrutura e conteúdo do novo álbum
"Amar, amor!" apresenta um total de dez composições, sendo nove delas inéditas e originárias da criatividade dos integrantes do grupo. O repertório autoral dominante reflete o compromisso de Os Amantes com a criação original, embora uma regravação integre o tracklist do álbum. A seleção de músicas inclui contribuições individuais de cada membro, como "Acho que enlouqueci" assinada por Jaloo, além de composições colaborativas que evidenciam o trabalho conjunto dos três artistas.
Fusão entre o brega paraense e influências internacionais
O diferencial sonoro de Os Amantes reside na abordagem híbrida que incorpora elementos da música paraense como base principal. O tecnobrega e o brega nortista funcionam como matéria-prima que permeia todo o disco, fornecendo raízes regionais profundas ao projeto. Simultaneamente, a produção integra referências do indie rock dos anos 2000, estilo que ganhou força internacional e que permeia criações musicais contemporâneas. Guitarras turbinadoras, como as presentes em "Adeus" de autoria de Arthur Kunz, exemplificam essa convergência estilística. Além disso, o álbum comporta influências de pop japonês, demonstrando uma abertura para experimentações que transcendem as fronteiras geográficas e culturais.
Produção e arranjos como protagonistas
Durante a audição sequencial das faixas, torna-se evidente que a produção musical e os arranjos ocupam posição central na construção de "Amar, amor!". Composições como "Além de um sonho bom", desenvolvida por Léo Chermont e Arthur Kunz, "Seja livre", resultado da colaboração entre os três membros, e "Notícia", assinada por Léo Chermont e Jaloo, demonstram como o trabalho de estúdio estrutura e potencializa as criações autorais. O investimento em produção de qualidade equilibra e complementa o cancioneiro original, criando uma obra coesa que prioriza tanto a dimensão técnica quanto a criatividade compositiva.
Estratégia de divulgação e single antecipado
A campanha de divulgação de "Amar, amor!" iniciou-se em 29 de julho com o lançamento de um single que precederia o álbum completo. Significativamente, a faixa escolhida para representar o projeto foi "A primeira vez", uma regravação que não é autoria de Os Amantes. A música original pertence a Tony Brasil e obteve repercussão notável no circuito musical nortista quando foi lançada no ano 2000, interpretada pela cantora paraense Ana de Oliveira. Esta escolha estratégica liga o novo trabalho à história da música regional, estabelecendo um diálogo entre gerações de artistas que exploram as mesmas raízes culturais e sonoras.
Consolidação de uma identidade musical única
Os Amantes solidifica através de "Amar, amor!" uma identidade artística própria dentro do panorama musical brasileiro. A combinação entre tecnobrega paraense e indie rock cria um espaço singular que não se alinha completamente com tendências comerciais dominantes nem se restringe ao circuito regional. Este posicionamento permite ao trio estabelecer-se como proposta genuína de renovação da música paraense, integrando heranças locais com influências globais de forma orgânica. O novo álbum reafirma esse compromisso com a experimentação controlada e a qualidade produtiva, apontando para um futuro em que Os Amantes continue expandindo as possibilidades da fusão entre brega e indie rock.