Péricles domina Palco Sunset com tributo à Motown
Péricles apresenta show especial em homenagem à Motown Records no Rock in Rio 2026, interpretando clássicos do soul e R&B norte-americanos.

Péricles domina Palco Sunset com tributo à Motown
A apresentação de Péricles no Palco Sunset do Rock in Rio 2026 marcou um momento singular na carreira do artista. Péricles, conhecido como o "Rei da Voz", deixou de lado sua marca registrada no samba e pagode para fazer uma homenagem exclusiva à Motown Records, a histórica gravadora que revolucionou a música popular norte-americana e a indústria fonográfica mundial.
Um projeto único para o festival
O show foi criado especialmente para o Rock in Rio 2026 e sugerido por Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World. A ideia foi imediatamente aceita pelo cantor, que viu na proposta uma oportunidade de expandir seus horizontes musicais. Péricles utilizou apenas o português para conversar com o público, mantendo toda a performance vocal dedicada aos sucessos que marcaram época nos catálogos da gravadora americana.
A história e legado da Motown Records
Fundada em 1959 por Berry Gordy Jr., a Motown Records foi responsável por transformar o panorama musical norte-americano durante um período de segregação racial severa em vários estados dos Estados Unidos. A gravadora produzia e lançava quase exclusivamente artistas negros, criando um espaço de resistência e excelência artística. Seu catálogo incluiu lendas como Marvin Gaye, Stevie Wonder, The Supremes, The Temptations, The Jackson 5, Diana Ross, Lionel Richie, Martha & The Vandellas e Smokey Robinson & The Miracles.
Para Péricles, a Motown representava mais que apenas influência musical. Em entrevista anterior ao evento, o artista revelou que a gravadora o inspirou a criar sua própria empresa, a Farias Produções, demonstrando como exemplos como o Motown movem gerações de músicos a buscarem independência criativa.
Uma experiência visual e vocal completa
Utilizando um figurino inteiramente prateado complementado por uma capa estampada com fotos de artistas da Motown, Péricles abriu a apresentação com "Ain't No Mountain High Enough", interpretada originalmente por Marvin Gaye, seguida imediatamente por "I Want You Back", clássico do Jackson 5. A performance contou com uma banda especializada de nove músicos e quatro backing vocals, todos selecionados e preparados exclusivamente para o festival.
Repertório cuidadosamente selecionado
Ao longo de 14 músicas, Péricles navegou pelo catálogo mais icônico da Motown. O setlist incluiu "My Girl" dos The Temptations, "Cruisin'" de Smokey Robinson, "I'll Be There" do Jackson 5, "End of the Road" de Boys II Men, "Let's Get It On" de Lionel Richie e "All Night Long", também de Richie. A escolha das canções refletia não apenas os maiores sucessos da gravadora, mas também a diversidade de estilos dentro do soul e R&B que a Motown ajudou a popularizar globalmente.
Notavelmente, "Stand By Me", a faixa que Péricles costuma inserir em seus shows convencionais, não integrou o setlist, já que a canção não faz parte do legado da Motown. O show foi encerrado com "ABC" do Jackson 5 e "Superstition" de Stevie Wonder, consolidando a temática da apresentação.
Conforto e versatilidade em cena
Durante toda a performance, Péricles demonstrou completo domínio do palco, exibindo dançarinos movimentos fluidos e segurança vocal notável. Sua versatilidade vocal se tornou evidente ao interpretar artistas de estilos diversos, provando por que o titulo de "Rei da Voz" é tão apropriado. O artista tirou onda, dançou e se divertiu, criando uma conexão genuína com o público presente no Palco Sunset.
Impressionante considerar que os ensaios para o show de Péricles ocorreram simultaneamente à produção e gravação de um novo álbum que será lançado no fim de setembro, demonstrando sua capacidade de gerenciar múltiplos projetos de alto impacto.
Perspectivas futuras e legacy do samba
Péricles já participou de outras homenagens musicais em 2024, incluindo um tributo a Alcione onde interpretou clássicos como "Sufoco" e "Você Me Vira a Cabeça". O cantor aguarda a oportunidade de subir ao palco do Rock in Rio cantando sua própria história e repertório, especialmente considerando que o festival já abriu espaço para artistas do gênero, como Belo, que integrou o Palco Favela praticamente no mesmo período que Péricles.
Em declaração ao final da apresentação, Péricles argumentou sobre a importância de espaço para o samba e pagode no Rock in Rio: "Quando a gente fala de rock, a gente fala da atitude rock and roll, atitude de revolucionar. O samba já vem mostrando isso há muito tempo. E num palco como o Rock in Rio, nada mais justo do que a gente ter outras vertentes de movimentos e segmentos que fazem a diferença, que fazem a revolução". O rei da voz permanece pronto para conquistar novos palcos e públicos.