Petróleo alcança US$ 110 pela 1ª vez desde maio
Brent ultrapassa marca de US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio. Confira os fatores que pressionam os preços do petróleo.

Petróleo Brent ultrapassa US$ 110 por barril
O petróleo Brent atingiu uma marca significativa ao romper a barreira de US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio de 2024. A escalada nos preços reflete preocupações crescentes dos investidores com possíveis restrições à oferta global decorrentes de tensões geopolíticas no Oriente Médio e da capacidade reduzida da Rússia em fornecer diesel aos mercados internacionais.
Os contratos futuros do petróleo Brent, que servem como referência internacional para precificação da commodity, encerraram a sexta-feira em alta expressiva. O fechamento registrou aumento de US$ 3,94, equivalente a 3,7% de ganho, totalizando US$ 109,86 por barril. Tal performance representa o maior valor negociado desde 19 de maio, sinalizando uma retomada vigorosa nos preços.
Mercado internacional responde a múltiplos fatores
No mesmo período, os contratos do West Texas Intermediate (WTI), referência adotada nos Estados Unidos, também registraram avanços substanciais. O WTI subiu US$ 3,44, ou 3,5%, fechando em US$ 101,41 por barril, marcando seu maior patamar desde 17 de setembro. Na semana, o desempenho acumulado revela pressão contínua: o Brent acumula alta de 4,9%, enquanto o WTI avançou mais expressivamente, com ganho de 10,4%.
Segundo análise da consultoria Energy Aspects, os preços do petróleo voltaram a subir após período de recuo anterior, impulsionados principalmente pelo temor de uma escalada do conflito no Oriente Médio. A consultoria também destacou relatos de possíveis ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita como fator relevante na formação de expectativas de investidores.
Tensões geopolíticas alimentam incerteza
Indicações da imprensa israelense sugeriram que o Irã estaria preparando um ataque preventivo, após serviços de inteligência ocidentais identificarem movimentações militares incomuns na região. Embora essas informações não tenham recebido confirmação oficial, reforçaram significativamente as preocupações do mercado com novos confrontos e possíveis interrupções no fornecimento de petróleo.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico direcionado a Yanbu, cidade portuária estratégica localizada no Mar Vermelho. O porto de Yanbu possui importância crítica para a Arábia Saudita, funcionando como rota alternativa para escoamento de petróleo ao mercado internacional, contornando o Estreito de Ormuz, passagem marítima essencial para o transporte global da commodity.
De acordo com informações da consultoria Rapidan Energy Group, os primeiros relatórios indicavam que a infraestrutura de Yanbu não teria sofrido danos no incidente. Tal dado ofereceu certo alívio aos mercados, embora a incerteza geopolítica tenha permanecido como fator determinante nas cotações.
Ataques a refinarias russas pressionam oferta
A preocupação com a oferta global de combustíveis intensificou-se devido aos ataques ucranianos a instalações petrolíferas russas. Na quinta-feira, a Ucrânia atacou uma refinaria localizada na Rússia, após o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy anunciar que Kiev abandonaria a trégua que protegia instalações de energia. O cessar-fogo havia sido previamente anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A refinaria de Ryazan, localizada na região central da Rússia, interrompeu operações em sua unidade de destilação primária de petróleo seguindo um ataque com drones na quinta-feira, conforme informaram duas fontes do setor ouvidas pela Reuters. A destilação primária constitui etapa inicial fundamental do processo de refino, na qual o petróleo bruto é aquecido e separado em diferentes componentes utilizáveis na produção de combustíveis, incluindo diesel e gasolina.
Medidas para aumentar oferta global
Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, a combinação entre tensões no Oriente Médio e incertezas sobre a capacidade russa de fornecer diesel tem funcionado como incentivo para que investidores aumentem suas posições compradoras em petróleo.
Na tentativa de ampliar a disponibilidade de combustíveis, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou na quinta-feira em liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis no mercado global. Paralelamente, os Estados Unidos abriram na sexta-feira uma chamada para propostas de troca envolvendo até 17 milhões de barris de petróleo extraídos da Reserva Estratégica de Petróleo do país, conforme comunicado pelo Departamento de Energia americano.
A reserva estratégica norte-americana funciona como estoque mantido pelo governo federal especificamente para auxiliar na mitigação de situações de interrupção ou restrição significativa no abastecimento doméstico de petróleo, representando instrumento importante de política energética e econômica do país.