Popular Hoje sábado, 5 setembro 2026
Economia

Alcolumbre ameaça impeachment de Mendonça se Moraes for destituído

Presidente do Senado sinalizou que autorizará processo contra Mendonça caso pressão por impeachment de Moraes se torne insustentável no STF.

Alcolumbre ameaça impeachment de Mendonça se Moraes for destituído
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

A estratégia do impeachment cruzado no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comunicou internamente aos seus pares no Congresso Nacional uma posição estratégica que mudou o cenário político: caso a pressão pela destituição do ministro Alexandre de Moraes se tornasse irresistível, ele autorizaria também o impeachment de Mendonça. Esta abordagem de impeachment cruzado funcionou como mecanismo de descompressão das tensões que pairavam sobre a Casa Alta nos últimos dias.

A sinalização de Alcolumbre ganhou força após a decisão tomada na noite de quinta-feira (3) pelo ministro Moraes, que solicitou ao presidente Edson Fachin a abertura de investigação contra Mendonça. Nesta petição, Moraes citava indícios de crime de responsabilidade do ministro investigado e mencionava que Alcolumbre também havia sido alvo de investigações anteriores, criando o que foi interpretado como uma abertura política para a atuação do presidente do Senado.

As reviravoltas jurídicas que alimentaram a crise

O conflito entre os ministros da Corte ganhou contornos ainda mais complexos quando, na sexta-feira (4), o presidente Fachin tomou uma decisão surpreendente. Ele retirou o pedido de Moraes do âmbito do inquérito das fake news e determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o ministro André Mendonça se pronunciassem no prazo de cinco dias. A transferência dos processos para a Presidência da Corte significava que ambos os inquéritos envolvendo Moraes e Mendonça passariam agora sob condução de Fachin.

Esta sequência de eventos teve origem na terça-feira (1), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório elaborado pela Polícia Federal. O documento expunha mensagens e contatos mantidos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O ministro Mendonça, na mesma decisão, sugeriu que o plenário da Corte avaliasse os elementos constantes dos relatórios policiais sobre o caso.

As acusações mútuas entre ministros do STF

Após a divulgação das informações sensíveis contidas no relatório, Mendonça determinou que a Procuradoria-Geral da República apresentasse parecer sobre o tema. O procurador Paulo Gonet, que havia sido mencionado nos documentos publicizados, declarou que a investigação carecia de validade legal e não deveria ter sido realizada sem solicitação formal do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.

A resposta de Alexandre de Moraes veio na mesma noite de quinta-feira (3). O ministro encaminhou ao presidente Fachin uma petição acusando André Mendonça de praticar improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos específicos. As acusações concentravam-se na condução dos casos relacionados ao Banco Master e na investigação do INSS.

A questionável validade legal dos documentos apresentados

Um ponto crucial emerge nesta contenda: Moraes fundamentou suas acusações em um relatório da Polícia Federal que, conforme destacado pelos próprios investigadores, possui restrições legais significativas. O documento é classificado como de uso restrito, não possui poder decisório, não pode ser utilizado como prova e não pode servir como fonte em documentos externos, segundo ressalvas explícitas nele contidas.

Relatórios de inteligência, por sua natureza intrínseca, não são elaborados para serem utilizados em processos judiciais formais. É justamente por esta razão que seu conteúdo é tratado como indício, e não como prova robusta. Esta limitação técnica enfraquecia potencialmente os argumentos apresentados contra Mendonça.

Os argumentos de Moraes contra a conduta de Mendonça

Apesar destas restrições técnicas, Moraes argumentou que Mendonça teria usurpado as autoridades policiais na direção das investigações, conduzido de forma irregular tratativas de delação e direcionado as apurações por "motivos pessoais e políticos", citando seu próprio nome e o do presidente do Senado, Alcolumbre, como alvos dessa conduta presumivelmente parcial.

Para fundamentar sua posição, Moraes invocou dispositivos da Constituição Federal e do regimento interno do STF, que estabelecem ser responsabilidade de órgão colegiado a análise de possíveis crimes comuns cometidos por magistrados. Conforme o ministro, o relatório da Polícia Federal indicava medidas tomadas por Mendonça com "flagrante perda de imparcialidade".

O contexto político e institucional da crise

Esta crise institucional no Supremo Tribunal Federal reflete tensões profundas que transcendem as questões técnicas e jurídicas. A estratégia comunicada por Alcolumbre revela como questões de equilíbrio político permeiam até mesmo as instituições mais altas do Judiciário. A sinalização de um possível impeachment de Mendonça caso o de Moraes avançasse funcionou como instrumento de contenção das pressões e manutenção de certo equilíbrio entre as forças políticas no Congresso.

Os desdobramentos desta crise continuarão dependendo das manifestações da PGR e do próprio Mendonça, que têm prazo de cinco dias para se posicionarem. O papel de Edson Fachin como intermediário e condutor dos processos será determinante para o rumo que esta controvérsia institucional seguirá nos próximos capítulos.

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