Checagem: Afirmações de Romeu Zema verificadas
Confira quais declarações do candidato Romeu Zema na entrevista ao g1 e GloboNews são verdadeiras, falsas ou imprecisas. Análise completa das principais afirmaç...

Entrevista de Romeu Zema analisada ponto a ponto
O candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, participou de entrevista pelo g1 e pela GloboNews na quinta-feira (6) de julho. A conversa, conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos estúdios da GloboNews no Rio de Janeiro, integra série de entrevistas com os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. A equipe de checagem de fatos verificou as principais afirmações feitas por Romeu Zema durante o programa.
Declarações verificadas como falsas
Governo sem escândalos e corrupção
Romeu Zema afirmou: "Eu, como governador, fiz um governo de sete anos e meio sem nenhum escândalo, sem nenhuma corrupção." Esta declaração foi classificada como #FAKE pela equipe de checagem.
A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, revelou um esquema bilionário de corrupção na mineração em Minas Gerais que atingiu diretamente o alto escalão do governo de Romeu Zema. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e de patrimônio foram exonerados ou afastados dos cargos após serem citados nas investigações.
O inquérito aponta que o grupo criminoso, formado por empresários, delegados e políticos, subornava servidores públicos para obter licenças ambientais que permitiam a exploração e o manuseio do minério de ferro em diferentes regiões do estado. Alguns desses locais ficavam próximos de unidades de preservação ambiental. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais foram instituições alvo desse esquema.
Investigações em partido do candidato
Romeu Zema também declarou: "Eu não tenho ninguém do meu partido sendo investigado." Esta afirmação também foi classificada como #FAKE.
Em 30 de abril, o deputado estadual Elizeu Nascimento, do Novo de Mato Grosso, foi alvo de busca e apreensão na Operação Emenda Oculta. A investigação apura o direcionamento irregular e suposto desvio de recursos de emendas parlamentares para entidades privadas ligadas a agentes políticos. Foram apreendidos R$ 150 mil na residência de Elizeu e R$ 50 mil no imóvel de seu irmão, o vereador Cezinha Nascimento.
Além disso, o ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Salles, também filiado ao Novo, responde no Supremo Tribunal Federal à Ação Penal 2.705. A investigação envolve suposto esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais. O caso segue aberto e aguarda julgamento sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Afirmações verificadas como verdadeiras
Recuperação financeira de Minas Gerais
A declaração sobre a transformação do déficit orçamentário em superávit foi classificada como #FATO. Romeu Zema afirmou que transformou um déficit de menos R$ 11 bilhões em 2018 para um superávit de R$ 5 bilhões em 2024.
No Balanço Geral do Estado divulgado no final de 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, o déficit orçamentário foi de aproximadamente R$ 11,4 bilhões. Em 2024, o resultado registrou saldo positivo de R$ 5,1 bilhões, impulsionado por receitas extraordinárias obtidas com os acordos de Mariana e Brumadinho. Ao fim de 2025, o SEF-MG apontou superávit de R$ 1,1 bilhão, embora para fim de 2026 projete retorno de déficit de R$ 5 bilhões.
Geração de empregos em Minas Gerais
A afirmação sobre criação de mais de 1 milhão de empregos foi confirmada como #FATO. Em 2018, a taxa de desemprego no estado foi de 10,8%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 5%, representando queda de 5,7 pontos.
O Censo de 2022 do IBGE apontou que Minas Gerais tem 16.627.121 pessoas com 15 anos ou mais. Considerando que 5,7% deste montante representaria 947.745, o número fica abaixo dos 1 milhão mencionados, mas há incremento significativo no mercado de trabalho estadual durante o período mencionado.
Mulheres em posições de comando
A declaração sobre mulheres no comando do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil foi verificada como #FATO. Os cargos são ocupados, respectivamente, pela coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues e delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis.
A equipe consultou os comandos de cada instituição nos 26 estados e no Distrito Federal, confirmando que nenhum outro ente federativo tem mulheres ocupando simultaneamente esses três cargos de comando.
Intocabilidade de Gilmar Mendes
A afirmação sobre processo respondido em relação ao ministro Gilmar Mendes foi classificada como #FATO. Zema é alvo de processo de crime de calúnia que tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça, após ser acusado pelo ministro Gilmar Mendes do STF.
O caso diz respeito a vídeo postado por Zema no Instagram em 5 de março, onde os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram retratados de forma irônica por meio de fantoches. O procurador-geral da República repassou o caso ao STJ em 15 de maio, afirmando que aquele seria o foro adequado.
População em áreas controladas por facções
A declaração sobre 60 milhões de brasileiros em áreas controladas pelo PCC e Comando Vermelho foi verificada como aproximada. Pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha, publicada em maio, estima que 68 milhões de brasileiros percebem presença de grupos criminosos em seu bairro de moradia.
Estudo realizado pela universidade Cambridge indicou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivem em locais com regras impostas por facções criminosas, confirmando a ordem de magnitude mencionada por Romeu Zema.
Afirmações parcialmente imprecisas
Envolvimento de entidades privadas no Banco Master
A afirmação sobre exclusividade de entes públicos no caso Banco Master foi classificada como #NÃOÉBEMASSIM. Embora investigações não mencionem envolvimento de bancos privados nem fundos de pensão privados, empresas privadas aparecem nas apurações.
A gestora Reag Investimentos teria tido fundos usados em operações para inflar patrimônio do Banco Master. Além disso, a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme "Dark horse", também figura no caso. Mensagens reveladas mostram pedidos de financiamento envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Medidas de segurança de barragens
A afirmação sobre mudanças após Brumadinho foi classificada como #NÃOÉBEMASSIM. Embora o governo tenha sancionado a Lei nº 23.291 (Mar de Lama Nunca Mais) em fevereiro de 2019, parte das normas de segurança contidas na lei já existia antes.
A Política Nacional de Segurança de Barragens foi criada em 2010, e Minas Gerais já realizava programa estadual de gestão e fiscalização antes da lei de 2019. Além disso, o número de 18 barragens descaracterizadas está desatualizado. De acordo com painel do Ministério Público de Minas Gerais atualizado em 23 de julho de 2026, 23 estruturas já foram descaracterizadas e 30 seguem em processo de descaracterização.
Multas ambientais de Mariana e Brumadinho
A afirmação sobre maior multa ambiental da história foi classificada como #NÃOÉBEMASSIM. Zema mencionou R$ 37 bilhões como a "maior multa ambiental da história", mas esse montante refere-se ao valor global do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, não uma multa.
A Secretaria de Meio Ambiente aplicou multa inicial de R$ 112 milhões à Samarco em 2015 pela tragédia de Mariana. Posteriormente, foram lavrados 31 autos de infração contra a empresa. A multa inicial de Brumadinho foi de aproximadamente R$ 99 milhões pela Vale. O acordo de R$ 37 bilhões não se trata de multa exclusiva do governo de Minas, e sim de instrumento maior que envolve reparação e compensação.
Metodologia da checagem
A equipe do Fato ou Fake analisou as principais declarações de Romeu Zema durante a entrevista ao g1 e GloboNews. A verificação considerou documentos oficiais, dados de institutos de pesquisa reconhecidos, decisões judiciais, operações policiais e relatórios públicos. Cada afirmação foi classificada em categorias: #FATO (verificado como verdadeiro), #FAKE (comprovadamente falso) ou #NÃOÉBEMASSIM (parcialmente impreciso ou incompleto).