Elon Musk perde US$ 146 bilhões em dois meses após IPO SpaceX
Elon Musk perdeu US$ 146,5 bilhões em dois meses após IPO da SpaceX. Ações caíram 31% desde máxima em junho. Entenda impacto.

A queda vertiginosa da fortuna de Elon Musk após IPO SpaceX
O empresário que se tornou o primeiro trilionário da história graças à valorização da SpaceX perdeu essa marca em apenas dois meses. A fortuna de Elon Musk encolheu US$ 146,5 bilhões (R$ 764,65 bilhões) em um curto período, acompanhando a trajetória descendente das ações da empresa espacial no mercado. O IPO SpaceX, que inicialmente impulsionou sua riqueza a números nunca antes alcançados, transformou-se em uma montanha-russa financeira.
As ações da SpaceX recuaram significativamente desde o pico máximo de US$ 201,8 (R$ 1.053,27) atingido em junho. Essa queda de 31% afeta diretamente a fortuna do empresário, que possui 42% da companhia. Quando o valor da empresa diminui, a participação acionária de Musk também perde valor, impactando seu patrimônio total de forma proporcional.
Compreendendo a estrutura financeira do IPO SpaceX
Desde a abertura de capital, a SpaceX revelou uma realidade mais complexa que a simples expansão exponencial esperada pelo mercado. O primeiro balanço divulgado após o IPO SpaceX mostra uma empresa em crescimento acelerado, porém formada por divisões com dinâmicas comerciais completamente distintas.
A receita da empresa quase dobrou em um ano, passando por expansão agressiva em múltiplas frentes. Contudo, essa expansão exigiu investimentos extraordinários: US$ 18,37 bilhões (R$ 95,9 bilhões) foram gastos em apenas três meses, representando mais de seis vezes o valor investido no mesmo trimestre de 2025. Essa disparidade entre receita crescente e despesas monumentais revelou a verdadeira natureza das apostas financeiras por trás do IPO SpaceX.
Os três pilares da SpaceX crescem em velocidades diferentes
A SpaceX opera em três segmentos principais, cada um com sua própria trajetória financeira. Essa diversificação foi um fator crucial que Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, destacou como central para entender as contas e a perspectiva futura do IPO SpaceX.
O segmento de conectividade, representado pelo Starlink, já é lucrativo. Em 2025, gerou US$ 4,42 bilhões (R$ 23,07 bilhões) em lucro operacional, demonstrando viabilidade comercial. Por outro lado, as áreas de inteligência artificial e lançamentos espaciais ainda priorizam expansão e investimentos pesados, acumulando prejuízos significativos em curto prazo.
A divisão de inteligência artificial, em particular, acumulou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões (R$ 33,14 bilhões) em 2025. Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, afirma que o resultado mostra uma empresa que cresce enquanto faz uma aposta pesada no futuro, especialmente em negócios de IA que ainda precisam provar seu potencial nos próximos anos.
Investimentos bilionários em inteligência artificial e Starship
A maior parte dos investimentos recentes do IPO SpaceX foi direcionada para inteligência artificial. Entre os movimentos estratégicos estão a ampliação da infraestrutura de computação em nuvem, projetos como o Colossus II e planos para usar chips da Nvidia em satélites voltados à inteligência artificial.
Além disso, a SpaceX anunciou um acordo de US$ 60 bilhões (R$ 313,16 bilhões) para adquirir a Cursor, ampliando significativamente sua oferta de ferramentas de IA para empresas. Esse movimento foi resumido por Menzies como uma fase de "reinvestimento agressivo", onde a companhia canaliza capital para desenvolvimento do Starship, fabricação de satélites e infraestrutura de IA.
O desenvolvimento do Starship, principal projeto da área espacial, também consome bilhões em investimentos. Em 2025, a empresa investiu mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,66 bilhões) neste projeto, além de outros US$ 930 milhões (R$ 4,85 bilhões) no primeiro trimestre do ano atual. O desafio permanece o mesmo: transformar essa infraestrutura em receita que justifique o dinheiro investido.
Starlink sustenta a empresa, mas enfrenta novos desafios
O Starlink emerge como o pilar financeiro que sustenta as ambições mais ousadas do IPO SpaceX. O serviço de internet via satélite é atualmente um dos principais negócios da companhia e ajuda a financiar a expansão das outras áreas de operação.
A base de clientes do Starlink dobrou em um ano, chegando a 12 milhões de usuários. Contudo, a receita média por usuário caiu de US$ 85 (R$ 443,65) para US$ 66 (R$ 344,48) entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período em 2026. Menzies aponta que a própria SpaceX espera que esse valor continue recuando à medida que avance para mercados de menor renda, oferecendo preços mais competitivos.
Por enquanto, o crescimento exponencial do número de clientes compensa a queda da receita média por usuário. Mas existe uma preocupação legítima: se o Starlink precisar crescer cada vez mais para sustentar os investimentos nas demais áreas, a evolução de sua rentabilidade passa a ser uma questão crítica. Uma queda contínua na receita por assinante, se não for compensada adequadamente pelo crescimento do volume, poderia comprimir as margens do segmento de conectividade — a única parte do negócio que atualmente gera lucro operacional significativo.
O desafio do mercado: quanto custa o futuro?
Para especialistas como Nicolas Owens, o mercado ainda está considerando cenários mais otimistas para a reusabilidade do Starship e para a vantagem comercial de datacenters orbitais do que aquilo que é mais provável neste momento. Essa discrepância entre expectativas e realidade pode explicar a queda abrupta das ações após o IPO SpaceX.
A resposta para quanto valem as apostas futuras da SpaceX — e quanto tempo levarão para dar retorno — pode determinar não apenas o valor da empresa, mas também o rumo da fortuna de Elon Musk nos próximos anos. A empresa ainda dispõe de capital para continuar investindo e expandindo seus negócios, mas a percepção do mercado sobre essas apostas sofreu transformação significativa.