Popular Hoje quarta-feira, 14 outubro 2026
Economia

Governo consegue votos para acelerar votação da PEC 6x1

Governo obtém 54 assinaturas para votação acelerada da PEC que extingue escala 6x1 e garante dois dias livres remunerados aos trabalhadores brasileiros.

Governo consegue votos para acelerar votação da PEC 6x1
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Governo avança em votação acelerada da PEC 6x1

O governo federal conseguiu reunir as 54 assinaturas necessárias para apresentar um requerimento que possibilita a votação acelerada da PEC 6x1 no Senado Federal. A líder governista Teresa Leitão (PT-PE) apresentou o pedido nesta terça-feira (13), visando agilizar o processo legislativo que visa eliminar a polêmica escala de trabalho que predomina em diversos setores da economia brasileira.

A estratégia de acelerar a votação da PEC 6x1 representa um movimento significativo do Palácio do Planalto para modernizar as relações trabalhistas no país. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou que o requerimento será apreciado na quarta-feira (14), durante a quinta e última sessão de discussão da matéria antes da primeira votação.

Tramitação acelerada e calendário especial

A aprovação da votação acelerada da PEC 6x1 contorna as regras normais de processamento de emendas constitucionais. Conforme as normas regimental do Senado, existe um período obrigatório de cinco dias úteis entre o primeiro e segundo turno de votação, além de três sessões de discussão. Contudo, um requerimento de calendário especial permite que esse intervalo seja suprimido ou reduzido.

Davi Alcolumbre esclareceu que há número regimental suficiente para apreciar o calendário especial na sessão de quarta-feira. "Esta matéria estará apta para sua deliberação no dia de amanhã. Lógico que é público, vários senadores assinaram um requerimento de calendário especial solicitado por lideranças partidárias," declarou o presidente do Senado.

Apoio político transversal para a PEC 6x1

Segundo relatos de parlamentares do governo e da oposição, existe consenso suficiente para aprovar as mudanças na escala de trabalho. Para que uma Proposta de Emenda à Constituição seja aprovada, é necessário obter o apoio mínimo de três quintos dos senadores em ambas as votações, equivalente a 49 dos 81 membros da Casa.

Teresa Leitão relatou que a receptividade à medida está "muito boa" e que membros da oposição apoiam a iniciativa mesmo antes de posicionamentos mais recentes. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato presidencial que anteriormente adotava tom crítico ao fim da escala 6x1, declarou nesta terça que se posicionará "conforme a vontade da maioria do povo".

Entre os partidos de oposição, políticos do Republicanos já demonstraram apoio público à medida. O atual senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho, e a senadora Damares Alves (DF), ambos filiados à legenda, manifestaram-se favoravelmente à extinção da escala 6x1.

Cronograma de implementação da PEC 6x1

A proposta que acaba com a escala 6x1 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro. A PEC 6x1 altera a Constituição Federal para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo simultaneamente dois dias de folga remunerada, preferencialmente com domingo incluído.

A implementação da PEC 6x1 ocorrerá de forma gradual através de um período de transição definido em lei. Nos primeiros dois meses após aprovação, a jornada será reduzida para 42 horas semanais com dois dias de repouso remunerado. Depois, passados doze meses, a jornada atingirá as 40 horas semanais estabelecidas como meta final.

Exceções e abrangência da reforma

A medida não se aplicará universalmente a todos os trabalhadores. Profissionais com ensino superior que auferem mensalmente mais de 2,5 vezes o teto do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) ficam excluídos das novas regras. Atualmente, essa exclusão abrange quem receba acima de R$ 21.188 mensais, permitindo que esse segmento continue operando sob arranjos diferentes.

A garantia de dois dias de descanso semanal sem possibilidade de redução salarial representa o núcleo central da proposta. Essa proteção visa assegurar que a redução da jornada não implique em cortes nos vencimentos dos trabalhadores, mantendo o poder aquisitivo e qualidade de vida.

Expectativas e cronograma de votação

Governistas indicam que a intenção é promulgar a PEC 6x1 até quinta-feira (22), antecipando a publicação em comparação aos prazos normais. Essa aceleração ocorre dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, refletindo a importância política da matéria para o governo.

O esforço para acelerar a votação da PEC 6x1 revela o grau de prioridade que o Executivo atribui à reforma trabalhista. A convergência de apoios entre governo e oposição, rara em matérias constitucionais, evidencia que a eliminação da escala 6x1 conquistou consenso significativo no Congresso Nacional, sinalizando mudanças substanciais para o mercado de trabalho brasileiro.

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