Popular Hoje sexta-feira, 6 novembro 2026
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Ministro critica rótulo de terrorismo para facções criminosas brasileiras

Mauro Vieira afirma que classificar organizações criminosas como terroristas gera confusão internacional e não ajuda no combate ao crime organizado.

Ministro critica rótulo de terrorismo para facções criminosas brasileiras
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Crítica à classificação de facções como terroristas

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, questiona a estratégia de rotular organizações criminosas como entidades terroristas, argumentando que essa abordagem cria confusão no cenário internacional e não contribui efetivamente para desarticular as estruturas criminosas. A declaração foi feita durante discurso na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizado na terça-feira (23).

A posição do chanceler brasileiro surge logo após o Departamento de Estado norte-americano anunciar a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma decisão que o Brasil não endossa de forma integral.

Natureza distinta das estruturas criminosas

De acordo com Mauro Vieira, é fundamental compreender que essas organizações criminosas possuem características específicas que as diferenciam de outras ameaças internacionais. "É importante não perder de vista a natureza do que enfrentamos: trata-se de estruturas criminosas movidas pelo lucro, que buscam controlar territórios e mercados ilícitos", destacou o ministro em seu discurso.

O chanceler enfatizou que aplicar categorizações importadas de outros contextos não contribui para desmantelar as redes criminosas de forma eficiente. "Nesse sentido, devemos resistir à tentação de reclassificá-lo sob rótulos que confundem fenômenos de naturezas distintas. Categorias importadas de outros contextos não contribuem para desmantelar as redes criminosas", afirmou Vieira.

Impacto na cooperação internacional

A preocupação do ministro estende-se aos efeitos práticos dessa classificação no combate transnacional ao crime. Vieira argumenta que designar diferentes termos para as organizações criminosas limita o intercâmbio de inteligência entre os países e pode criar obstáculos à colaboração efetiva.

Além disso, conforme o ministro, essa prática pode "converter-se em pretexto para respostas que ignoram fronteiras, jurisdições e a igualdade soberana das nações". Tal situação prejudicaria não apenas o Brasil, mas todo o esforço colaborativo da comunidade internacional em conter essas atividades ilícitas.

Posição brasileira sobre cooperação bilateral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou publicamente que o Brasil está aberto a receber apoio dos Estados Unidos no combate às organizações criminosas, porém exclusivamente através de mecanismos de cooperação bilateral. Nessa perspectiva, o governo brasileiro já encaminhou ao presidente Donald Trump propostas específicas de parcerias direcionadas ao enfrentamento do crime organizado.

Essa abordagem reflete a preferência do Brasil por um modelo de colaboração que respeite sua soberania e permita maior controle sobre as operações realizadas em seu território.

Crime organizado como ameaça regional

Durante seu discurso na OEA, Mauro Vieira reconheceu que o crime organizado transcende fronteiras e representa um dos problemas mais sérios que afetam diferentes regiões das Américas. "O governo brasileiro confere a mais alta prioridade ao combate ao crime organizado. Qualquer esforço nacional só será eficaz, contudo, se for acompanhado de cooperação entre todos os Estados membros", declarou.

Necessidade de coordenação permanente

O ministro destacou a importância de aprofundar a coordenação e manter diálogo contínuo entre as polícias e serviços de inteligência dos diferentes países, bem como fortalecer mecanismos de assistência jurídica mútua. "É fundamental aprofundarmos a coordenação e o diálogo permanente entre nossas polícias e serviços de inteligência e a assistência jurídica mútua", completou o chanceler.

Essa perspectiva busca construir uma estratégia mais robusta e eficiente contra as facções, baseada na colaboração genuína entre as nações americanas, em detrimento de unilateralismos que possam comprometer a soberania nacional ou gerar conflitos diplomáticos desnecessários.

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