Morre Ramiro Valdés, herói da Revolução Cubana
Ramiro Valdés, comandante da Revolução Cubana e ex-vice-presidente de Cuba, faleceu aos 94 anos. Saiba mais sobre sua trajetória.

Falecimento de Ramiro Valdés marca fim de uma era revolucionária
Ramiro Valdés, figura emblemática da Revolução Cubana e personalidade próxima a Fidel Castro, faleceu aos 94 anos, conforme comunicado neste domingo (21) pelo presidente Miguel Díaz-Canel. A morte de Ramiro Valdés representa o encerramento de um capítulo importante na história contemporânea de Cuba, marcando o desaparecimento de um dos últimos sobreviventes dos primeiros dias da revolução que transformou a ilha caribenha.
Através de mensagem divulgada na rede social X, o líder cubano expressou sua dor profunda diante da perda, afirmando que a morte de Valdés "dói profundamente, como a de um pai". Díaz-Canel encerrou seu pronunciamento com a tradicional frase revolucionária "Até a vitória, sempre, comandante!". O presidente não divulgou informações específicas acerca da causa do falecimento do respeitado revolucionário.
Uma vida dedicada à revolução e ao serviço público
Ramiro Valdés desempenhou papel crucial nas estruturas governamentais cubanas durante mais de seis décadas após a vitória dos rebeldes encabeçados por Fidel Castro em 1959. Sua contribuição foi reconhecida através de títulos honorários como "Herói da República" e "Comandante da Revolução", além de sua integração ao influente Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, posição que manteve até 2019.
Considerado um dos principais líderes militares da Revolução Cubana, ao lado de Fidel Castro, Ramiro Valdés exerceu diversas funções administrativas ao longo de sua carreira política. Entre 2009 e 2019, atuou como vice-presidente da nação. Sua trajetória também incluiu os cargos de ministro do Interior, vice-ministro da Defesa e ministro da Informação e Comunicações. Nos últimos anos, desempenhava o cargo de vice-primeiro-ministro.
Participação ativa nos desafios contemporâneos de Cuba
Até o momento de seu falecimento, Ramiro Valdés mantinha-se envolvido ativamente nas questões emergentes do país, particularmente relacionadas aos frequentes problemas de fornecimento de energia elétrica que afetam a população cubana. O comandante comparecia regularmente em público usando uniforme militar ao lado do presidente Díaz-Canel, participando de campanhas para conscientizar os cidadãos sobre a necessidade de economizar eletricidade e preservar o espírito revolucionário.
Origens revolucionárias e papel nos eventos fundadores
Nascido em 28 de abril de 1932, Ramiro Valdés iniciou sua luta revolucionária aos apenas 21 anos, quando participou do ataque ao quartel de Moncada ao lado de Fidel Castro em 1953, evento que marcou o início da insurreição contra o governo autoritário de Fulgencio Batista.
Após enfrentar o exílio no México, Valdés integrou o grupo de 82 homens que navegaram no iate Granma até Cuba em 1956 para reiniciar a campanha revolucionária. Sua resiliência ficou evidente ao constar entre os apenas 12 sobreviventes daquela perigosa travessia marítima. Entre seus companheiros de jornada estavam Fidel Castro, seu irmão mais jovem Raúl Castro (posteriormente presidente) e o revolucionário argentino Ernesto "Che" Guevara.
Atuação na guerra revolucionária e consolidação do poder
Ramiro Valdés posicionou-se nas montanhas da Sierra Maestra, localizada no leste cubano, onde colaborou intensamente com Ernesto Guevara na condição de vice-comandante. Durante o período final da campanha militar, participou da estratégica Batalha de Santa Clara nos instantes que antecederam a fuga do presidente Batista do país em 1º de janeiro de 1959. Subsequentemente, assumiu a direção da agência de segurança estabelecida após Fidel Castro consolidar seu poder.
Características pessoais e lealdade inabalável
Compartilhando do carisma notável de Fidel Castro e Ernesto Guevara, Ramiro Valdés manteve-se como figura respeitada nos círculos do poder. À semelhança dos demais líderes revolucionários, utilizava o uniforme verde-oliva nos ambientes governamentais. Sua marca distintiva permaneceu o cavanhaque no estilo de Leon Trótski, adotado desde os primórdios da revolução, que manteve ao longo de toda sua existência.
Dotado de dedicação ao condicionamento físico e à disciplina pessoal, Ramiro Valdés preservou uma rotina rigorosa de exercícios regulares até alcançar os 80 anos de idade. Essa disciplina refletia sua abordagem sistemática à vida revolucionária. Sua lealdade permaneceu constante em relação à revolução, seus líderes e ao sistema político unipartidário, mesmo durante as épocas mais desafiadoras enfrentadas pela nação caribenha.
Reflexões sobre a unidade revolucionária
Em discurso proferido durante a celebração do 61º aniversário do ataque ao Moncada em 2014, Ramiro Valdés enfatizou a importância fundamental da unidade popular para o sucesso revolucionário. "Não podemos esquecer que chegamos até aqui graças à unidade do povo e à confiança na revolução", declarou na ocasião. O comandante ressaltou a necessidade contínua de preservação dessa coesão social como elemento essencial para o futuro, reconhecendo que "essa luta ainda não terminou", perspectiva que manteve até o final de sua vida.