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Prazo de 10 dias define novas tarifas dos EUA; Brasil negocia em última chance

Brasil intensifica negociações para evitar tarifas dos EUA que podem chegar a 37,5%. Governo propõe 'mapa do caminho' antes do prazo de 15 de julho.

Prazo de 10 dias define novas tarifas dos EUA; Brasil negocia em última chance
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/05/prazo-para-entrada-em-vigor-de-novas-tarifas-dos-eua-termina-em-dez-dias-governo-espera-por-mais-uma-reuniao-de-negociacao.ghtml

A corrida contra o tempo das negociações comerciais Brasil-EUA

Com apenas dez dias restantes até o vencimento do prazo, as tarifas dos EUA tornam-se cada vez mais reais para o Brasil. A data de 15 de julho marca o momento decisivo em que Washington precisará determinar se implementará as medidas tarifárias adicionais sobre produtos brasileiros, um cenário que representa um dos maiores desafios comerciais do governo Lula em seu relacionamento com a administração Trump.

Equipes técnicas de ambos os governos realizam reuniões nesta semana em preparação para um último encontro de nível estratégico entre os dois países. Esse encontro será crucial para determinar se as tarifas dos EUA sairão do papel ou se Brasil conseguirá mitigações significativas nas propostas.

Quanto pode elevar a carga tarifária no Brasil

A ameaça comercial em questão é composta por duas iniciativas distintas que, se implementadas cumulativamente, podem alcançar uma carga tributária de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.

A primeira medida refere-se a uma tarifa adicional de 25%, fundamentada por Washington em alegações de práticas comerciais desleais. Esta proposta foi apresentada após investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que identificou políticas brasileiras como supostamente irracionais ou restritivas ao comércio americano.

Paralelamente, existe uma sobretaxa de 12,5%, justificada pela alegação de que o Brasil não implementa fiscalização adequada contra mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ambas as medidas compõem o arsenal tarifário que Washington considera aplicar antes do encerramento do prazo.

A proposta brasileira como último recurso negociador

Na última quinta-feira, 2 de julho, o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, manteve reunião virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. Nesse encontro, a delegação brasileira apresentou sua estratégia final: um "mapa do caminho" contendo ações específicas e compromissos concretos.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva elaborou esse documento com objetivo de ampliar as garantias de que as práticas adotadas pelo Brasil não oneram nem restringem o comércio com os norte-americanos. A iniciativa representa a última cartada diplomática antes da implementação das tarifas dos EUA.

Segundo auxiliares do presidente, a proposta do "mapa do caminho" foi finalizada em conversa com Lula no dia 24 de junho, durante atividade no Palácio da Alvorada quando o presidente acompanhava a partida da Seleção Brasileira contra a Escócia. Na ocasião, Lula validou a estratégia e autorizou sua apresentação ao representante comercial americano.

Áreas prioritárias de negociação

O governo brasileiro mantém posição irredutível em relação ao PIX, o sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, mas abriu-se para negociações em outras frentes. As principais áreas de discussão incluem tarifas preferenciais desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Essas temáticas formam o núcleo das preocupações da administração Trump com relação às práticas comerciais brasileiras e compõem os tópicos citados no relatório do USTR que subsidiou a proposta das tarifas dos EUA.

Expectativas realistas do Palácio do Planalto

Interlocutores do presidente Lula, falando sob anonimato, indicam que a expectativa de reversão completa das medidas tarifárias praticamente desapareceu. A avaliação interna é que a decisão sobre as tarifas dos EUA possui motivações fundamentalmente políticas, não técnicas.

Portanto, o governo brasileiro concentra esforços em esgotar as negociações, apresentando argumentos técnicos robustos e dados comerciais que demonstrem a relevância do relacionamento bilateral. Contudo, a perspectiva otimista restringe-se a possíveis exceções ou reduções parciais nas alíquotas, não à eliminação completa da proposta tarifária.

Segundo esses integrantes do Planalto, há uma "linha de diálogo" mantida entre os dois governos, viabilizada por reuniões periódicas entre representantes dos presidentes Lula e Trump, indicando que a porta negociadora permanece aberta.

O processo investigativo que gerou as propostas tarifárias

Em início de junho, o USTR concluiu investigação aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, determinando que várias políticas brasileiras seriam irracionais ou restritivas ao comércio americano. O relatório menciona funcionamento do PIX, regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao etanol, proteção intelectual e políticas anticorrupção.

Como consequência, o USTR propôs a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Simultaneamente, outra investigação concluiu que dezenas de países, incluindo Brasil, não fiscalizam adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado, resultando na proposta da sobretaxa de 12,5%.

Resposta oficial brasileira e próximos passos

Na quarta-feira, 1º de julho, o Ministério das Relações Exteriores formalizou a resposta oficial do Brasil à investigação americana. Assinada pelo chanceler Mauro Vieira, a manifestação foi entregue no último dia do prazo concedido pelos americanos.

No documento, o ministro afirma que as críticas americanas ao PIX e decisões do Judiciário brasileiro não guardam relação com comércio, representando divergências sobre políticas internas. Previamente à implementação das medidas, o governo americano realizará audiência pública nos dias 6 e 7 de julho para discutir a proposta.

Caso confirmadas as tarifas dos EUA, elas atingirão parte significativa das exportações brasileiras, embora Washington já tenha sinalizado uma lista de exceções para produtos estratégicos como café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos, criando algum espaço de preservação para setores vitais da economia brasileira.

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