SpaceX desaba na bolsa um mês após IPO histórico
SpaceX sofre queda de 35% após estreia na bolsa. Ações caíram de US$ 225 para US$ 145 um mês depois do IPO histórico liderado por Elon Musk.

SpaceX enfrenta desvalorização após abertura de capital
A SpaceX na bolsa começou com entusiasmo extremo, mas transformou-se em decepção para muitos investidores um mês após seu lançamento público. Quando as ações da empresa cofundada por Elon Musk abriram para negociação em 12 de junho no mercado americano, o frenesi de compradores foi frenético, consolidando o que seria a maior oferta pública inicial de todos os tempos.
O preço estabelecido inicialmente em US$ 135 por ação disparou para US$ 150 no primeiro dia, atingindo US$ 176 antes do fechamento em US$ 160,95. A semana seguinte trouxe ainda mais otimismo, com as cotações alcançando intradiariamente US$ 225, ultrapassando gigantes como Amazon e Microsoft em valor de mercado total.
Euforia inicial seguida de realidade de mercado
Keith Snyder, analista da CFRA Research, explicou o fenômeno inicial. Para Snyder, qualquer empreendimento envolvendo Elon Musk gera entusiasmo natural entre investidores. Contudo, havia um componente adicional: pela primeira vez, o público podia investir em algo amplamente divulgado como um negócio de inteligência artificial.
Willy Lee, investidor da Neosteller, corroborou essa análise. Para Lee, o entusiasmo ao redor da SpaceX na bolsa estava profundamente conectado à IA. Praticamente todos viam a empresa como um caso de inteligência artificial em ação.
De fato, a SpaceX adquiriu a xAI no início do ano, startup de inteligência artificial também pertencente a Musk, posteriormente rebatizada como SpaceXAI e conhecida pelo polêmico chatbot Grok. A empresa também começou alugando capacidade de data center para outras companhias de tecnologia, alimentando essa narrativa.
O foco real dos negócios muda a perspectiva
O principal negócio da SpaceX, contudo, permanecia sendo a fabricação e lançamento de foguetes e satélites de telecomunicações Starlink. Conforme os detalhes operacionais e fontes de receita da companhia ficaram mais claros, as ações começaram seu declínio inexorável.
Um momento crítico ocorreu quando a Starlink anunciou redução de preços na região de Memphis, Tennessee, em resposta a preocupações locais com um grande projeto de data center. Naquele mesmo dia, as ações da SpaceX caíram 8%, sinalizando a volatilidade que perseguiria o papel.
A inclusão no índice Nasdaq100 em 7 de julho não trouxe alívio. Enquanto o índice geral caía 1,7%, a SpaceX na bolsa sofreu queda de 4,4%, demonstrando um desempenho especialmente fraco em meio a turbulências gerais do setor tecnológico.
Números que revelam o cenário para investidores
Após um mês de negociações, as ações estavam sendo transacionadas próximo a US$ 145 cada, representando redução de aproximadamente 18% em relação à máxima do primeiro dia e 35% abaixo do pico alcançado. Investidores de varejo que compraram nos primeiros cinco dias de negociação potencialmente enfrentam perdas significativas em seus investimentos.
Snyder foi direto em sua avaliação: investidores que compraram no lote inicial certamente estavam no prejuízo. O analista ressaltou que o movimento começava a se parecer muito com uma meme stock, aquelas ações que viralizam na internet impulsionadas por campanhas em redes sociais em vez de fundamentos financeiros sólidos.
Como exemplos de meme stocks, Snyder citou GameStop e Wendy's, onde investidores de varejo impulsionaram preços através de memes da internet. Sua previsão era de queda adicional para cerca de US$ 115, o que avaliaria a empresa em aproximadamente US$ 1,5 trilhão.
Dinâmica diferente para segmentos de investidores
Samuel Kerr, analista da Mergermarket, observou que as oscilações impactavam investidores diferentemente. Investidores do IPO original, que conseguiram comprar ao preço listado de US$ 135 ou já possuíam participação acionária, estavam bem posicionados. Porém, aqueles que entraram nos primeiros dias provavelmente não estavam felizes com sua posição.
Musk, por sua vez, demonstrava entusiasmo contínuo pelas perspectivas. Após a abertura de capital que o tornou o primeiro trilionário do mundo, afirmou que a SpaceX faturaria US$ 1 trilhão anualmente até 2030.
Estratégias ousadas de aquisição durante volatilidade
Musk também demonstrou disposição em usar a volatilidade das ações como moeda de negociação. Quando as ações dispararam em 16 de junho, a SpaceX anunciou a aquisição da Cursor, startup que desenvolveu robô de IA para escrever código, em negócio avaliado em US$ 60 bilhões. Essencialmente, Musk comprou a Cursor praticamente de graça, dado o quanto as ações haviam se valorizado naquele momento específico.
Kerr reconheceu nessa movimentação um nível de sofisticação de mercado que poucos emissores de ações possuem.
Perspectivas futuras e expectativas de resultados
O Morgan Stanley, um dos principais bancos que operou o IPO, parecia acreditar que a queda seria apenas temporária. Estabeleceu preço-alvo de US$ 300 para as ações, representando aumento de 33% em relação ao preço máximo até aquele momento.
Atualmente, a SpaceX operava com prejuízo, tendo gerado receita de US$ 18 bilhões no ano anterior, conforme demonstrações financeiras do IPO. A receita projetada por Musk de US$ 1 trilhão era aproximadamente 55 vezes maior.
Crescia a expectativa pelo primeiro balanço público de resultados. Embora a empresa não tivesse anunciado data, analistas esperavam que ocorresse no início de agosto. Coincidiria com o fim do período de bloqueio, quando funcionários que receberam ações como remuneração poderiam vendê-las, potencialmente gerando oscilações ainda mais drásticas.
Kerr finalizou com perspectiva realista: se a SpaceX conseguir cumprir tudo que promete, sim, os investidores estariam diante da empresa mais valiosa de todos os tempos. Mas ainda havia muito trabalho a ser feito.