Quaest identifica voto útil de direita direcionado a Flávio
Pesquisa Quaest aponta movimento de voto útil de direita em favor de Flávio Bolsonaro. Lula e Flávio empatam em 42% no segundo turno.
Quaest revela fluxo de votos úteis rumo a Flávio Bolsonaro
A pesquisa Quaest divulgada no sábado anterior ao primeiro turno detectou um fenômeno relevante: um movimento significativo de voto útil de direita em direção a Flávio Bolsonaro (PL), conforme análise de Felipe Nunes, diretor da consultoria e docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo Nunes, embora Lula apresente pequenas variações em suas intenções, o padrão observado nas respostas reflete principalmente a concentração estratégica de eleitores de outras candidaturas de direita convergindo para Bolsonaro filho. Durante entrevista à Central das Eleições da GloboNews, o especialista enfatizou: "É verdade que Lula até oscila um ponto, mas o movimento que a gente captura é um movimento de voto útil de direita".
Panorama atual das intenções de voto
No levantamento realizado, considerando apenas os votos válidos, Lula (PT) alcança 46% e Flávio Bolsonaro permanece em 45%, caracterizando um cenário de empate técnico. Na contabilização dos votos totais, Lula progrediu de 39% para 40% desde a rodada anterior de segunda-feira, enquanto Flávio avançou expressivamente de 34% para 38%.
Essa dinâmica de crescimento desigual entre os candidatos principais reforça a tese de que há uma redistribuição ativa de preferências eleitorais, particularmente entre os eleitores inicialmente vinculados a terceiras opções políticas de orientação conservadora.
Candidaturas de direita como reservatórios de votos
Conforme Nunes explicou, as candidaturas que competem pela preferência eleitoral na direita funcionaram, ao longo da campanha do primeiro turno, como espaços de retenção temporária de eleitores dispostos a deslocar seu apoio para Flávio Bolsonaro, caso este se consolidasse como candidato competitivo na disputa.
"É como se elas tivessem funcionado durante esse primeiro turno como uma caixa d'água de votos, um reservatório de votos à espera desses movimentos", descreveu o diretor da consultoria. Essa metáfora ilustra como eleitores que inicialmente optavam por Ronaldo Caiado, Augusto Cury ou Renan Santos permaneciam abertos à possibilidade de migração estratégica.
Transferência de votos em cenário de segundo turno
Os dados coletados pela Quaest demonstram que essa disposição à migração é substancial. Entre os eleitores que declararam apoio a Renan Santos (Missão), 60% afirmaram que votariam em Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa entre Lula e Bolsonaro no segundo turno. Entre os apoiadores de Caiado, esse percentual atinge 43%, enquanto entre os seguidores de Cury alcança 34%.
Esses números revelam uma estrutura clara de preferências condicionais entre o eleitorado de direita, onde existe uma hierarquia implícita que privilegia Flávio em relação a Lula, caso ambos avancem para a segunda fase da eleição.
Possibilidade de alteração na ordem classificatória
De acordo com Felipe Nunes, o fenômeno do voto útil de direita ainda possui potencial para modificar a ordem dos candidatos nas urnas no dia da votação. Nunes sugeriu que uma intensificação dessa migração no primeiro turno poderia posicionar Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula quando os votos forem contabilizados.
"Então o eleitor está se decidindo e eu não me surpreenderia se a gente visse esse movimento se intensificando amanhã, porque o movimento de voto útil da direita agora ele é, eu diria, muito decisivo. Ele é muito forte", afirmou Nunes. O diretor acrescentou que "há elementos para dizer, inclusive, que amanhã nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio, inclusive à frente de Lula, se esse contingente de eleitores de alternativas decidir dessa forma".
Consolidação de voto e cenário de dois turnos
Apesar dessa possibilidade, Nunes ponderou que o volume significativo de eleitores das candidaturas alternativas que já declararam ter finalizado sua escolha sustenta a expectativa de que a disputa será resolvida em dois turnos. Segundo ele, "o volume de eleitores dessas alternativas que neste momento diz que já decidiu o seu voto é grande o suficiente, eu diria, para que a gente trabalhe ainda com o cenário de dois turnos".
Os dados de consolidação mostram que 75% dos eleitores de Caiado (PSD), 68% dos de Augusto Cury (Avante) e 66% dos de Renan Santos (Missão) declararam que sua escolha para o primeiro turno é definitiva. Entre os apoiadores de Lula, esse percentual atinge 92%, enquanto entre os de Flávio chega a 89%.
Números completos da pesquisa
Considerando os votos totais, a distribuição de intenções para o primeiro turno apresenta-se da seguinte forma:
Lula (PT): 40% (aumento de 1 ponto percentual);
Flávio Bolsonaro (PL): 38% (aumento de 4 pontos percentuais);
Ronaldo Caiado (PSD): 3% (redução de 1 ponto percentual);
Augusto Cury (Avante): 3% (redução de 1 ponto percentual);
Renan Santos (Missão): 3% (permanece estável);
Indecisos: 3% (redução de 2 pontos percentuais);
Branco/nulo/não vai votar: 10% (permanece estável).
Metodologia da pesquisa Quaest
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, com coleta de dados realizada entre 2 e 3 de outubro. A amostra abrangeu 3.702 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi devidamente registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026.